[ Esse "episódio" foi tirado de um sonho que eu tive umas semanas atrás]
Ele acordou com uma dor intensa no topo da cabeça, pior do que qualquer ressaca que tivera na vida. A boca tinha um gosto estranho e logo ele se deu conta de que não fazia a menor idéia de onde estava. Olhou ao redor, era um lugar escuro, não parecia ter nada ali, era como estar no espaço.
Chamou por alguém, não houve resposta. Chamou de novo, silêncio.
Aí ele viu uma luz distante, estava se aproximando e ficando maior, era na verdade algo que emanava uma forte luz branca. Quando ele focou a visão e entendeu o que era, não acreditou no que seus olhos viam. Uma gigantesca baleia branca que brilhava muito, tinha marcas por todo o corpo, como tatuagens verdes e azuis e vermelhas e no alto das costas tinha duas imensas asas emplumadas e multicoloridas com todas as cores imagináveis. A baleia o fitou e pareceu sorrir, disse:
- Olá, eu sou Deus.
- Ahm?
- Eu sou Deus, prazer em conhece-lo.
Ele não disse nada, ficou fitando a baleia. Deu-se conta de que ela estava muito longe dele ainda e que mesmo assim era imensa, enorme mesmo, devia ser muito maior do que trilhares de sóis, sua voz era grave e calma, confortante. Ele duvidou dos seus sentidos, mas sabia no fundo que a entidade dizia a verdade. Chorou.
- Por que chora?
- Tenho medo.
- De quê?
- De sua grandeza!
- Nem sou tão grande assim, se fosse tão grande nem teria forma. Mas sou baleia, limitado a ser branco e ter asas, sou uma coisa, uma coisa colossal, mas apenas uma coisa.
- Eu morri?
- Não se lembra não é? Você enfiou uma arma na boca e puxou o gatilho.
O jovem identificou finalmente o gosto estranho na boca como sendo pólvora.
- Vou pro inferno?
- Não existe inferno, fique tranquilo.
- O que acontece agora?
- O próximo passo oras. - A baleia novamente pareceu sorrir. - Vou te ensinar tudo que precisa saber.
- Sobre o que?
- Sobre ser Deus.
- O quê?
- A vida é só um treino, uma preparação pra algo maior. Aí depois vem esse passo e depois o próximo e assim toda a caminhada.
- Existe algo além de ser Deus?
- Você está curioso, eu entendo. Vou te explicar tudo com o tempo, fique tranquilo.
O rapaz ficou mudo fitando a criatura, estava aterrorizado, não entendia nada.
- Qual o sentido da vida Deus?
- Criação.
O jovem chorou novamente.
Gordon "Troll" Banks
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Lepidópteras Gástricas
Fato desconhecido e que eu sempre tentei manter em sigilo é que eu gosto muito de...borboletas. É, borboletas, ha ha ha, muito engraçadas todas essas brincadeiras originais que vocês estão fazendo sobre minha sexualidade. Seguindo em frente, estava eu outro dia pensando nas lepidopteras, quando me ocorreu que elas tem muito em comum com as mulheres.
Eu explico, vamos lá.
Começando pelo básico, ambas são lindas e existem numa maravilhosa variedade quase infinita, o que te mantém sempre interessado, ocupado e surpreso no quesito aparência. Cada borboleta tem beleza rara e única assim como cada representante do sexo feminino em nosso mundo.
Item dois, delicadeza. Você já conseguiu conquistar uma borboleta? Digo, você só estendeu a mão e ela pousou em você sem rodeios? Se você já fez isso, seja bem vindo a um grupo seleto (somos poucos) de pessoas que sabem encantar borboletas. Elas são ariscas e é realmente difícil conseguir atrair a atenção de uma borboleta, caso você seja bruto e tente captura-la na marra, você terá um montinho de pernas e asas destroçadas nas mãos, as lepidópteras são muito delicadas. O mesmo vale pras mulheres! Um bom começo pode ser manter-se clássico, tanto mulheres quanto borboletas adoram flores.
Mistério e Confusão ficam sendo o item três. Voando loucamente em todas as direções, sem padrão de voo perceptível nenhum, indo pra algum lugar que apenas elas sabem qual é. Assim são as borboletas e assim, diria eu infelizmente, são também as mulheres. Não tente jamais adivinhar em qual direção ela vai desviar, não tente jamais descobrir seu destino, você só vai se frustrar amigo. "A Dança Louca das Borboletas" como disse Zé Ramalho, é só pra elas mesmas dançarem e nós espectadores observarmos de uma distância segura.
As comparações mais pertinentes ficam sendo essas. Ambas, mulheres e borboletas, exercem um fascínio sobrenatural sobre esse que vos fala. Embora eu seja ligeiramente inclinado a gostar mais das borboletas, dói menos.
Mas essas mulheres, com sua beleza misteriosa, seus pensamentos confusos, seus trejeitos delicados, elas ainda são as campeãs em minha mente e meu coração, afinal, existe um limite para o que você pode compartilhar com uma borboleta.
Gordon "Troll" Banks
Eu explico, vamos lá.
Começando pelo básico, ambas são lindas e existem numa maravilhosa variedade quase infinita, o que te mantém sempre interessado, ocupado e surpreso no quesito aparência. Cada borboleta tem beleza rara e única assim como cada representante do sexo feminino em nosso mundo.
Item dois, delicadeza. Você já conseguiu conquistar uma borboleta? Digo, você só estendeu a mão e ela pousou em você sem rodeios? Se você já fez isso, seja bem vindo a um grupo seleto (somos poucos) de pessoas que sabem encantar borboletas. Elas são ariscas e é realmente difícil conseguir atrair a atenção de uma borboleta, caso você seja bruto e tente captura-la na marra, você terá um montinho de pernas e asas destroçadas nas mãos, as lepidópteras são muito delicadas. O mesmo vale pras mulheres! Um bom começo pode ser manter-se clássico, tanto mulheres quanto borboletas adoram flores.
Mistério e Confusão ficam sendo o item três. Voando loucamente em todas as direções, sem padrão de voo perceptível nenhum, indo pra algum lugar que apenas elas sabem qual é. Assim são as borboletas e assim, diria eu infelizmente, são também as mulheres. Não tente jamais adivinhar em qual direção ela vai desviar, não tente jamais descobrir seu destino, você só vai se frustrar amigo. "A Dança Louca das Borboletas" como disse Zé Ramalho, é só pra elas mesmas dançarem e nós espectadores observarmos de uma distância segura.
As comparações mais pertinentes ficam sendo essas. Ambas, mulheres e borboletas, exercem um fascínio sobrenatural sobre esse que vos fala. Embora eu seja ligeiramente inclinado a gostar mais das borboletas, dói menos.
Mas essas mulheres, com sua beleza misteriosa, seus pensamentos confusos, seus trejeitos delicados, elas ainda são as campeãs em minha mente e meu coração, afinal, existe um limite para o que você pode compartilhar com uma borboleta.
Gordon "Troll" Banks
domingo, 24 de janeiro de 2010
Sobre Baleias, Papagaios e Lagostas.
O homem é cheio de medos. Alguns bobos, outros sérios. Alguns leves, outros profundos. Mas acho que o maior de todos os medos do homem é a Solidão.
so.li.dão
sf (lat solitudine) 1 Condição, estado de quem está desacompanhado ou só. 2 Lugar ermo, retiro. 3 Apartamento, isolamento. 4 Caráter dos lugares ermos, solitários.
O homem é um animal social e nós precisamos de contato social por isso. Claro que existem as excessões, psicopatas, sociopatas e gente que simplesmente não precisa de TANTO contato social assim, os famosos anti-sociais. Mas no geral, todo mundo precisa de um mínimo de companhia pra se sentir bem. Falando assim parece simples.
O problema é, não basta apenas se cercar de pessoas aleatórias e sem importância, você precisa de companhias siginificantes, pessoas que te façam sentir bem.
Continua um pouco simples, concordo, afinal todo mundo tem um número mínimo de amigos. E mesmo quem não tem amigo nenhum, tem que conviver com o pessoal do trabalho, aquela vizinha velha que te pede pra matar barata e o dono do buteco onde você enche a cara por ser solitário.
Então ta, qual o raio do problema com a solidão?
Acho que o pior tipo de solidão, o que atinge um maior número de pessoas pelo menos, é a solidão sentimental, amorosa. Bons macacos que somos, somos sociais, mas acima disso, somos animais e queremos perpetuar nossa espécie. Podia ser simples assim, eu ia gostar, mas não é simples, existe todo uma complexa rede de sentimentos e vontades inerentes aos humanos envolvidos.
As baleias escolhem um único parceiro e com ele passam toda a vida, os papagaios também. Caso o parceiro morra, o animal permanece solitário e fiel ao seu falecido conjuge até a própria morte. Bonito isso né? E se os humanos fossem assim? Eu sei bem que eu já estraguei tantas chances de ter alguém especial na minha vida, que eu estaria fadado a viver umas dez vidas sozinho se fosse uma baleia.
A solidão tem essa coisa de te fazer pensar que vai morrer. E quando você não acha que vai morrer, a solidão faz você desejar que estivesse morto. Bruxa maldita essa solidão, jogando com nossas vidas desse jeito, como se não tivesse importância nenhuma.
Você acorda e pensa na vida, que tem que se vestir, que tem que escovar os dentes, que tem que pegar o ônibus, que vai fazer isso pelo resto da vida sozinho, aí rola aquela sensação de facada nas costelas, uma faca gelada e dura e triste. Seu estômago dói, seu coração reclama, você fecha os olhos e respira fundo e finge que se controlou, finge que passou tudo, mas não passou, nunca passa.
Então, voltando, acho que o problema da solidão é esse. Você tem várias chances, mas na verdade só tem uma chance, porque se você estraga uma chance, aquela pessoa não vai passar o resto da vida com você e até achar a pessoa que vai ser sua lagosta (as lagostas também só tem um parceiro a vida toda), você vai sempre estar nesse constante estado de "estarnamerdismo". Afinal de contas, não é qualquer velha com medo de barata, qualquer dono de buteco que vai ser seu parceiro pro resto da vida, tem que ser uma pessoa especial, porque mesmo tendo vários amigos, só temos um parceiro, então temos que escolher bem. Complexo, complexo demais.
Agora, a escolha é todo um problema à parte da solidão, fulano gosta de fulana que gosta de ciclano que gosta de beltrana e por aí vai, já dizia o poeta. Talvez eu trate disso num próximo post, material pra usar eu tenho.
Concluindo, a solidão é uma merda. Ela te fode, te faz sentir um merda, te faz vulnerável, te faz confuso, insensível, sensível demais e muitas outras coisas, os efeitos podem variar e geralmente variam mesmo. Solução pra solidão: Pede pra nascer baleia, papagaio ou lagosta na próxima vez.
Gordon "Whale" Banks
so.li.dão
sf (lat solitudine) 1 Condição, estado de quem está desacompanhado ou só. 2 Lugar ermo, retiro. 3 Apartamento, isolamento. 4 Caráter dos lugares ermos, solitários.
O homem é um animal social e nós precisamos de contato social por isso. Claro que existem as excessões, psicopatas, sociopatas e gente que simplesmente não precisa de TANTO contato social assim, os famosos anti-sociais. Mas no geral, todo mundo precisa de um mínimo de companhia pra se sentir bem. Falando assim parece simples.
O problema é, não basta apenas se cercar de pessoas aleatórias e sem importância, você precisa de companhias siginificantes, pessoas que te façam sentir bem.
Continua um pouco simples, concordo, afinal todo mundo tem um número mínimo de amigos. E mesmo quem não tem amigo nenhum, tem que conviver com o pessoal do trabalho, aquela vizinha velha que te pede pra matar barata e o dono do buteco onde você enche a cara por ser solitário.
Então ta, qual o raio do problema com a solidão?
Acho que o pior tipo de solidão, o que atinge um maior número de pessoas pelo menos, é a solidão sentimental, amorosa. Bons macacos que somos, somos sociais, mas acima disso, somos animais e queremos perpetuar nossa espécie. Podia ser simples assim, eu ia gostar, mas não é simples, existe todo uma complexa rede de sentimentos e vontades inerentes aos humanos envolvidos.
As baleias escolhem um único parceiro e com ele passam toda a vida, os papagaios também. Caso o parceiro morra, o animal permanece solitário e fiel ao seu falecido conjuge até a própria morte. Bonito isso né? E se os humanos fossem assim? Eu sei bem que eu já estraguei tantas chances de ter alguém especial na minha vida, que eu estaria fadado a viver umas dez vidas sozinho se fosse uma baleia.
A solidão tem essa coisa de te fazer pensar que vai morrer. E quando você não acha que vai morrer, a solidão faz você desejar que estivesse morto. Bruxa maldita essa solidão, jogando com nossas vidas desse jeito, como se não tivesse importância nenhuma.
Você acorda e pensa na vida, que tem que se vestir, que tem que escovar os dentes, que tem que pegar o ônibus, que vai fazer isso pelo resto da vida sozinho, aí rola aquela sensação de facada nas costelas, uma faca gelada e dura e triste. Seu estômago dói, seu coração reclama, você fecha os olhos e respira fundo e finge que se controlou, finge que passou tudo, mas não passou, nunca passa.
Então, voltando, acho que o problema da solidão é esse. Você tem várias chances, mas na verdade só tem uma chance, porque se você estraga uma chance, aquela pessoa não vai passar o resto da vida com você e até achar a pessoa que vai ser sua lagosta (as lagostas também só tem um parceiro a vida toda), você vai sempre estar nesse constante estado de "estarnamerdismo". Afinal de contas, não é qualquer velha com medo de barata, qualquer dono de buteco que vai ser seu parceiro pro resto da vida, tem que ser uma pessoa especial, porque mesmo tendo vários amigos, só temos um parceiro, então temos que escolher bem. Complexo, complexo demais.
Agora, a escolha é todo um problema à parte da solidão, fulano gosta de fulana que gosta de ciclano que gosta de beltrana e por aí vai, já dizia o poeta. Talvez eu trate disso num próximo post, material pra usar eu tenho.
Concluindo, a solidão é uma merda. Ela te fode, te faz sentir um merda, te faz vulnerável, te faz confuso, insensível, sensível demais e muitas outras coisas, os efeitos podem variar e geralmente variam mesmo. Solução pra solidão: Pede pra nascer baleia, papagaio ou lagosta na próxima vez.
Gordon "Whale" Banks
domingo, 10 de janeiro de 2010
Semi-Vida (O Show tem que continuar)
Acordei as 2:50 da manhã. Outro pesadelo. Levantei e fui pra cozinha, abri a geladeira, tinha leite e cerveja. Bebi uma cerveja. Fui até o banheiro, ainda de cuecas, dei uma boa olhada no cara do espelho. Estava acabado, vazio, miserável.
Voltei pra cozinha, ainda no escuro, abri a gaveta de talheres. Peguei uma faca de carne imensa. Fiquei observando o brilho tímido do metal no escuro. As facas devia ser forjadas uma a uma antigamente, eram obras de arte, hoje em dia são feitas às centenas em fábricas, pedaços de merda.
Peguei a faca e senti o fio com meu dedo. Estava afiada e o aço era gelado. Encostei-a no meu pulso. Fiquei imaginando se teria coragem, mas não tinha. Se fizesse desse jeito provavelmente eu ia pedir ajuda em algum momento antes do fim, ia ficar com medo. Tinha que ser mais rápido.
Encostei a ponta da faca no pescoço, abaixo da orelha, forcei um pouco e a pele cedeu de leve, mas não machucou. Fiquei pensando em qual seria a sensação de ter aquele pedaço de ferro gelado atravessando minha cabeça e fiquei tentado com a paz que viria depois. Aí forcei a faca um pouco mais, até começar a machucar. Comecei a pensar na vida, no porque daquilo.
Pensei na minha família, nos meus amigos, na minha mãe limpando o sangue no chão da cozinha. E o cachorro? Quem ia cuidar do cachorro? Só eu cuido do cachorro, ele ia ficar na mão sem mim. Aí pensei no meu velório e no meu enterro e pensei em quem ia aparecer. Eu sei quem ia, eu sei quem não ia, mas nem faria diferença na verdade. Comecei a chorar, guardei a faca de volta na gaveta. O pescoço ficou vermelho, mas não sangrou. Nem sei se eu sangro.
Deitei na cama pra voltar a dormir, tinha que acordar às 5 pra ir trabalhar.
Voltei pra cozinha, ainda no escuro, abri a gaveta de talheres. Peguei uma faca de carne imensa. Fiquei observando o brilho tímido do metal no escuro. As facas devia ser forjadas uma a uma antigamente, eram obras de arte, hoje em dia são feitas às centenas em fábricas, pedaços de merda.
Peguei a faca e senti o fio com meu dedo. Estava afiada e o aço era gelado. Encostei-a no meu pulso. Fiquei imaginando se teria coragem, mas não tinha. Se fizesse desse jeito provavelmente eu ia pedir ajuda em algum momento antes do fim, ia ficar com medo. Tinha que ser mais rápido.
Encostei a ponta da faca no pescoço, abaixo da orelha, forcei um pouco e a pele cedeu de leve, mas não machucou. Fiquei pensando em qual seria a sensação de ter aquele pedaço de ferro gelado atravessando minha cabeça e fiquei tentado com a paz que viria depois. Aí forcei a faca um pouco mais, até começar a machucar. Comecei a pensar na vida, no porque daquilo.
Pensei na minha família, nos meus amigos, na minha mãe limpando o sangue no chão da cozinha. E o cachorro? Quem ia cuidar do cachorro? Só eu cuido do cachorro, ele ia ficar na mão sem mim. Aí pensei no meu velório e no meu enterro e pensei em quem ia aparecer. Eu sei quem ia, eu sei quem não ia, mas nem faria diferença na verdade. Comecei a chorar, guardei a faca de volta na gaveta. O pescoço ficou vermelho, mas não sangrou. Nem sei se eu sangro.
Deitei na cama pra voltar a dormir, tinha que acordar às 5 pra ir trabalhar.
sábado, 2 de janeiro de 2010
2009, o ano do Martírio.
E eu lá no começo do ano pensando que esse ano seria mais fácil que o anterior. Ingênuo. Se pelo menos eu estivesse preparado pro que estaria por vir. 2009 foi um ano sofrido, pelo que eu me lembro, foi o ano mais sofrido de todos.
Pra começar, basicamente foi um ano todo da minha vida no qual eu não fiz absolutamente nada. Não que eu reclame especificamente disso, de maneira alguma, mas é um fato que eu não cresci nenhum pouco no sentido profissional e nem no sentido de ser independente. Fiquei estagnado exatamente no ponto onde estava em Dezembro de 2008 e nele fiquei até dezembro de 2009.
Socialmente foi um ano ótimo, fortaleci laços e criei outros laços novos que prometem se fortalecer nos dias que virão.
Emocionalmente foi um pouco mais complicado. No começo do ano eu tinha certas crenças, fui levado a acreditar que tudo daria certo, aí depois a porra toda desmoronou e eu por ser tão crente nas pessoas acabei bem machucado.
Foi um ano de reflexão acima de tudo, porque o que não me faltou esse ano foi TEMPO pra pensar na vida, pensar nas coisas, pensar nas pessoas. Muitos acham que isso foi minha perdição. "Cabeça vazia é a oficina do Diabo", diziam. Eu já acho que foi exatamente ao contrário, poder pensar o tempo todo foi o que me salvou.
Eu não estava preparado pro que aconteceu esse ano, pra nada do que aconteceu em sentido algum. A covardia, o rancor, a fofoca, a pena, a surpresa. Mas é tudo passado agora. Eu me reergui ainda mais poderoso que antes dos escombros das minhas ilusões despedaçadas de como as pessoas são e de como a vida segue seu curso.
2010 promete ser um bom ano, tudo aponta nessa direção e eu tenho aquele pressentimento engraçado no estômago. Mas acho que não é hora de fazer previsões, eu vou continuar seguindo, sóbrio e bêbado, pelos becos da vida.
Ainda afirmo que as pessoas que só percebem o lado ruim da situação estão perdendo o fio da meada, afinal o sofrimento é o que nos fortalece, e se o ano que passou foi o pior que eu já tive, o próximo tem tudo pra ser o melhor. Cada ação tem uma reação, certo?
Eu me sinto pronto pra perder o medo, pra tomar grandes decisões, pra mudar minha vida, melhor ainda, pra mudar as vidas das pessoas à minha volta. E no ano que vem, quando eu for escrever um post sobre 2010, eu não tenho bem certeza do que vou escrever, mas sei que seja o que for, eu não vou estar arrependido e choramingando, acabou o Martírio, acabou o flagelo. Tem um Troll aqui pronto pra botar pra foder.
Feliz Ano Novo.
Gordon "Troll" Banks
Pra começar, basicamente foi um ano todo da minha vida no qual eu não fiz absolutamente nada. Não que eu reclame especificamente disso, de maneira alguma, mas é um fato que eu não cresci nenhum pouco no sentido profissional e nem no sentido de ser independente. Fiquei estagnado exatamente no ponto onde estava em Dezembro de 2008 e nele fiquei até dezembro de 2009.
Socialmente foi um ano ótimo, fortaleci laços e criei outros laços novos que prometem se fortalecer nos dias que virão.
Emocionalmente foi um pouco mais complicado. No começo do ano eu tinha certas crenças, fui levado a acreditar que tudo daria certo, aí depois a porra toda desmoronou e eu por ser tão crente nas pessoas acabei bem machucado.
Foi um ano de reflexão acima de tudo, porque o que não me faltou esse ano foi TEMPO pra pensar na vida, pensar nas coisas, pensar nas pessoas. Muitos acham que isso foi minha perdição. "Cabeça vazia é a oficina do Diabo", diziam. Eu já acho que foi exatamente ao contrário, poder pensar o tempo todo foi o que me salvou.
Eu não estava preparado pro que aconteceu esse ano, pra nada do que aconteceu em sentido algum. A covardia, o rancor, a fofoca, a pena, a surpresa. Mas é tudo passado agora. Eu me reergui ainda mais poderoso que antes dos escombros das minhas ilusões despedaçadas de como as pessoas são e de como a vida segue seu curso.
2010 promete ser um bom ano, tudo aponta nessa direção e eu tenho aquele pressentimento engraçado no estômago. Mas acho que não é hora de fazer previsões, eu vou continuar seguindo, sóbrio e bêbado, pelos becos da vida.
Ainda afirmo que as pessoas que só percebem o lado ruim da situação estão perdendo o fio da meada, afinal o sofrimento é o que nos fortalece, e se o ano que passou foi o pior que eu já tive, o próximo tem tudo pra ser o melhor. Cada ação tem uma reação, certo?
Eu me sinto pronto pra perder o medo, pra tomar grandes decisões, pra mudar minha vida, melhor ainda, pra mudar as vidas das pessoas à minha volta. E no ano que vem, quando eu for escrever um post sobre 2010, eu não tenho bem certeza do que vou escrever, mas sei que seja o que for, eu não vou estar arrependido e choramingando, acabou o Martírio, acabou o flagelo. Tem um Troll aqui pronto pra botar pra foder.
Feliz Ano Novo.
Gordon "Troll" Banks
sábado, 26 de dezembro de 2009
Café antes do Apocalipse
Ele estava entrando na casa dos trinta, vestia uma calça jeans simples e uma camiseta branca, tinha cabelos castanhos e ordinários, olhos azuis muito alegres e um sorriso radiante no rosto. Seu nome era MORTE. Caminhava empolgado rua abaixo naquele dia maravilhoso de sol quente. Ele foi até um pequeno restaurante aconchegante e se enfiou num box pra seis pessoas. Pediu uma fatia de torta de banana com calda quente à garçonete. Ficou sentado no box cantarolando alegremente.
Mais tarde, na mesma rua, surgiu um segundo homem. Ele aparentava ter uns quarenta anos, os cabelos nas laterais da cabeça começando a ficar grisalhos. Sua postura era perfeita, tão reta quanto a de qualquer pessoa viva poderia ser. Trajava um terno preto com gravata preta e não olhava para os lados enquanto marchava até o pequeno restaurante. Seu nome era GUERRA. Entrou no estabelecimento e sentou-se no mesmo banco ocupado pelo rapaz que comia torta preguiçosamente. Pediu café e acendeu um cigarro, ignorando o cartaz que dizia que era proibido fumar ali.
Agora subindo a rua, vindo da parte pobre da cidade, vinha um rapaz de no máximo dezessete anos. Vestia uma calça jeans escandalosamente agarrada às coxas magras e uma jaqueta de couro sobre uma camiseta deprimente de um palhaço se enforcando. Tinha muitos piercings nas orelhas e no rosto, seu cabelo era encebado e rebelde, indo pra todas as direções. Ele tinha passos vacilantes, parecia entorpecido. Seu nome era PESTE. Ele entrou no restaurante trocando pernas e se sentou no mesmo banco dos outros dois homens. Pediu à garçonete um pastel de frango e roubou muitas folhas de seda de cima da mesa.
Lá fora do restaurante, o dia quente e alegre começou a se transformar. O sol se escondeu atrás de grossas nuvens cor de chumbo e começou a ventar muito forte. Grossas e gordurosas gotas de chuva suja começaram a cair do céu.
Subindo a rua na direção do restaurante vinha um quarto homem. Era imenso, muito gordo e quase da altura de um homem e meio. Se arrastava rua acima vestindo uma calça marrom muito feia, manchada de vômito, uma jaqueta poída e uma camisa encardida e gasta. Na cabeça tinha um chapéu marrom igualmente miserável. Seu nome era FOME. Entrou no restaurante e finalmente ficou claro porque os outros três homens estavam sentados todos do mesmo lado do box. Fome precisou de um lado inteiro do box somente para si e seu corpo descomunal. Sentou-se de frente pros outros e tirou o chapéu com humildade.
Morte olhou pra todos e sorriu efusivo, deu mais uma garfada na torta, depois falou de boca cheia:
- Bom ver todos você companheiros, fazia tanto tempo! - Ao contrário do que se poderia esperar, Morte, o mais temido Cavaleiro do Apocalipse, era muito amistoso e gentil. Falava o tempo todo num tom agradável e parecia sempre muito feliz.
- Fizeram falta, vocês não vão acreditar no que eu andei fazendo nos últimos milhares de anos! - Peste tinha um olhar distante e vidrado, estava claramente drogado ha algum tempo e seu corpo já não tinha mais capacidade de parecer o de uma pessoa saudável, sua pele era amarela e manchada e seus dentes eram escuros.
- Vamos aos negócios Senhores. - Disse Guerra muito rude. Sua voz era firme e não desafinava uma única nota. Além de severo e autoritátio, arrogância também era uma de suas marcas principais.
Fome não deu sinais de que diria nada, Guerra prosseguiu:
- O fim está próximo Senhores! - Ele deu um tapinha firme no tampo da mesa e começou a falar num tom de discurso ensaiado. - É nossa missão dar cabo de tudo que nos foi encumbido! Como vocês devem bem saber, graças a esse avanço dos mortais chamado tecnologia, a guerra e a discórdia estão por toda parte! Homens estão se atacando e matando uns aos outros ao redor de todo o mundo meus amigos! Que alegria! Eu vou repousar sempre com a sensação de que minha parte da missão está sendo cumprida! Vivas!
Morte bateu palmas e soltou um gritinho animado, sorria . Guerra sorriu pressuroso e sentiu-se admirado pelos companheiros. Morte tomou a palavra:
- Muito bem companheiro Guerra, muito bem! - Ele deu um gole num refrigerante cáustico em seu copo. - Bom, pra dizer a verdade, eu não posso reclamar de muita coisa da minha parte. O trabalho de todos vocês é excelente e sempre me rendem muitos espólios. Os mortais estão morrendo aos milhares o tempo todo!
Guerra deu mais um sorrisinho vitorioso, mas Peste interrompeu:
- Mais velhos, mais sábios e mais experientes que eu vocês podem ser meus compadres Cavaleiros, mas eu me recuso a ser rebaixado aqui. Se você não perceberam, meu trabalho vai indo muitíssimo bem! O homem espalha por aí substâncias viciantes, eles se destroem aos poucos e essa epidemia de morte lenta ainda ajuda a distruibuir muitas das minhas obras-primas pelo mundo. Câncer, Hepatite, AIDS, o mundo não sabe como se livrar da minha arte!
Guerra ficou claramente se sentindo contrariado, mas Morte gargalhou gostosamente e aplaudia o jovem companheiro com entusiasmo. Morte falou:
- E você meu bom amigo Fome, que nos conta de suas façanhas? O Fim vem chegando e temos que ter certeza de que tudo está correndo bem.
Fome levantou a cabeçorra e encarou os amigos ali sentados, seus olhos eram tristes e ele suspirou alto, torcendo seu chapéu nas mãos antes de falar:
- Vejam bem. - Começou. E sua voz era tão grave e triste que os outros três Cavaleiros quase que imediatamente começaram a chorar, soluçavam em silêncio, constrangidos. - O mundo é um lugar imenso e o glorioso trabalho dos Cavaleiros do Apocalipse está sendo notado por toda a parte. Concordo com o irmão Guerra e o irmão Peste, que estão mostrando admirável trabalho, e admito que o irmão Morte, mesmo colhendo os frutos do trabalho alheio também tem seu valor. - Morte deu um sorrisinho amarelo e sem jeito. - Mas eu vim aqui hoje pra clamar meu lugar de direito como o líder dos Cavaleiros.
Os três Cavaleiros se entreolharam incrédulos.
- Você pode até fazer um bom trabalho na África companheiro Fome, mas eu não consigo ver muito mais do seu trabalho em qualquer outra parte do mundo. - Disse Guerra.
Fome não sorriu, na verdade seu rosto ficou com uma expressão ainda mais triste e os três Cavaleiros se puseram a chorar novamente:
- Muito se engana, irmão Guerra, se você pensa que tudo o que eu posso fazer é retirar a comida da boca dos homens. A fome é uma metáfora que você deve ter falhado perceber. Chamam-me Fome por causa do vazio que causo e esse talvez fosse um nome muito mais apropriado a mim, Vazio. Minha influência vai tão além do alimento físico que você talvez não faça idéia, mas eu posso tentar explicar. A miséria, a falta de esperança, o medo, o ódio, a falta de amor, a solidão, a depressão, o desespero, a apatia, são todas minhas ações. São todos resultados do poder do Vazio na mente e no espírito dos homens. Hoje as pessoas se afastam umas das outras cada vez mais através da tecnologia, se acomodam em vidas que não são felizes, mas não são tampouco infelizes, e isso as satisfaz. As pessoas se envolvem em relacionamentos vazios e sem significados, com medo da dor de perder um amor, e isso só fortalece a falta de esperança, a solidão e tristeza no mundo.
Guerra estava lívido, Peste parecia confuso e Morte sorria com lágrimas nos olhos:
- Prossiga irmão.
Fome suspirou e falou mais:
- Enquanto houver no mundo a dúvida, a falta de coragem, a falta de insistência, o medo de tentar. Eu, o Vazio, vou me alimentar dessas coisas e meu poder só vai crescer. O espírito dos homens está quase morto. A vida miserável que levam é o bastante pra eles. Sem sucesso real, sem alegria real, sem amor real. Morre a poesia e o romantismo e florescem o cinismo e o medo. Medo da morte, medo da guerra, medo da peste, medo da dor, medo do amor, medo da solidão, medo de tudo, medo do VAZIO. Os homens temem a vida hoje mais que qualquer coisa meus irmãos, eles temem o que querem e o que poderiam alcançar se realmente tivessem coragem pra tanto, isso é a minha força!
Morte não resistiu e se levantou aplaudindo, lágrimas escorrendo pelo seu rosto:
- A coroa é sua irmão, você me convenceu! - Do indicador da mão direita, Morte puxou um anel pálido e o entregou para Fome. Assim que o anel foi colocado em seu dedo, Fome se levantou e saiu do restaurante. O dia aos poucos clareou e parou de chover, o sol se arriscou iluminar novamente a rua.
Guerra se levantou irritado na sequência e saiu empurrando Peste pra fora do estabelecimento, Morte ficou pra trás e pediu uma outra fatia de torta de banana com calda quente.
- Cavaleiro do Vazio...soa estranho...Cavaleiro do Medo? - Conversava sozinho. - De qualquer forma, ninguém vai reescrever o livro, vão sempre conhece-lo como Fome, sem saber o que realmente aquela palavra significa...
Mais tarde, na mesma rua, surgiu um segundo homem. Ele aparentava ter uns quarenta anos, os cabelos nas laterais da cabeça começando a ficar grisalhos. Sua postura era perfeita, tão reta quanto a de qualquer pessoa viva poderia ser. Trajava um terno preto com gravata preta e não olhava para os lados enquanto marchava até o pequeno restaurante. Seu nome era GUERRA. Entrou no estabelecimento e sentou-se no mesmo banco ocupado pelo rapaz que comia torta preguiçosamente. Pediu café e acendeu um cigarro, ignorando o cartaz que dizia que era proibido fumar ali.
Agora subindo a rua, vindo da parte pobre da cidade, vinha um rapaz de no máximo dezessete anos. Vestia uma calça jeans escandalosamente agarrada às coxas magras e uma jaqueta de couro sobre uma camiseta deprimente de um palhaço se enforcando. Tinha muitos piercings nas orelhas e no rosto, seu cabelo era encebado e rebelde, indo pra todas as direções. Ele tinha passos vacilantes, parecia entorpecido. Seu nome era PESTE. Ele entrou no restaurante trocando pernas e se sentou no mesmo banco dos outros dois homens. Pediu à garçonete um pastel de frango e roubou muitas folhas de seda de cima da mesa.
Lá fora do restaurante, o dia quente e alegre começou a se transformar. O sol se escondeu atrás de grossas nuvens cor de chumbo e começou a ventar muito forte. Grossas e gordurosas gotas de chuva suja começaram a cair do céu.
Subindo a rua na direção do restaurante vinha um quarto homem. Era imenso, muito gordo e quase da altura de um homem e meio. Se arrastava rua acima vestindo uma calça marrom muito feia, manchada de vômito, uma jaqueta poída e uma camisa encardida e gasta. Na cabeça tinha um chapéu marrom igualmente miserável. Seu nome era FOME. Entrou no restaurante e finalmente ficou claro porque os outros três homens estavam sentados todos do mesmo lado do box. Fome precisou de um lado inteiro do box somente para si e seu corpo descomunal. Sentou-se de frente pros outros e tirou o chapéu com humildade.
Morte olhou pra todos e sorriu efusivo, deu mais uma garfada na torta, depois falou de boca cheia:
- Bom ver todos você companheiros, fazia tanto tempo! - Ao contrário do que se poderia esperar, Morte, o mais temido Cavaleiro do Apocalipse, era muito amistoso e gentil. Falava o tempo todo num tom agradável e parecia sempre muito feliz.
- Fizeram falta, vocês não vão acreditar no que eu andei fazendo nos últimos milhares de anos! - Peste tinha um olhar distante e vidrado, estava claramente drogado ha algum tempo e seu corpo já não tinha mais capacidade de parecer o de uma pessoa saudável, sua pele era amarela e manchada e seus dentes eram escuros.
- Vamos aos negócios Senhores. - Disse Guerra muito rude. Sua voz era firme e não desafinava uma única nota. Além de severo e autoritátio, arrogância também era uma de suas marcas principais.
Fome não deu sinais de que diria nada, Guerra prosseguiu:
- O fim está próximo Senhores! - Ele deu um tapinha firme no tampo da mesa e começou a falar num tom de discurso ensaiado. - É nossa missão dar cabo de tudo que nos foi encumbido! Como vocês devem bem saber, graças a esse avanço dos mortais chamado tecnologia, a guerra e a discórdia estão por toda parte! Homens estão se atacando e matando uns aos outros ao redor de todo o mundo meus amigos! Que alegria! Eu vou repousar sempre com a sensação de que minha parte da missão está sendo cumprida! Vivas!
Morte bateu palmas e soltou um gritinho animado, sorria . Guerra sorriu pressuroso e sentiu-se admirado pelos companheiros. Morte tomou a palavra:
- Muito bem companheiro Guerra, muito bem! - Ele deu um gole num refrigerante cáustico em seu copo. - Bom, pra dizer a verdade, eu não posso reclamar de muita coisa da minha parte. O trabalho de todos vocês é excelente e sempre me rendem muitos espólios. Os mortais estão morrendo aos milhares o tempo todo!
Guerra deu mais um sorrisinho vitorioso, mas Peste interrompeu:
- Mais velhos, mais sábios e mais experientes que eu vocês podem ser meus compadres Cavaleiros, mas eu me recuso a ser rebaixado aqui. Se você não perceberam, meu trabalho vai indo muitíssimo bem! O homem espalha por aí substâncias viciantes, eles se destroem aos poucos e essa epidemia de morte lenta ainda ajuda a distruibuir muitas das minhas obras-primas pelo mundo. Câncer, Hepatite, AIDS, o mundo não sabe como se livrar da minha arte!
Guerra ficou claramente se sentindo contrariado, mas Morte gargalhou gostosamente e aplaudia o jovem companheiro com entusiasmo. Morte falou:
- E você meu bom amigo Fome, que nos conta de suas façanhas? O Fim vem chegando e temos que ter certeza de que tudo está correndo bem.
Fome levantou a cabeçorra e encarou os amigos ali sentados, seus olhos eram tristes e ele suspirou alto, torcendo seu chapéu nas mãos antes de falar:
- Vejam bem. - Começou. E sua voz era tão grave e triste que os outros três Cavaleiros quase que imediatamente começaram a chorar, soluçavam em silêncio, constrangidos. - O mundo é um lugar imenso e o glorioso trabalho dos Cavaleiros do Apocalipse está sendo notado por toda a parte. Concordo com o irmão Guerra e o irmão Peste, que estão mostrando admirável trabalho, e admito que o irmão Morte, mesmo colhendo os frutos do trabalho alheio também tem seu valor. - Morte deu um sorrisinho amarelo e sem jeito. - Mas eu vim aqui hoje pra clamar meu lugar de direito como o líder dos Cavaleiros.
Os três Cavaleiros se entreolharam incrédulos.
- Você pode até fazer um bom trabalho na África companheiro Fome, mas eu não consigo ver muito mais do seu trabalho em qualquer outra parte do mundo. - Disse Guerra.
Fome não sorriu, na verdade seu rosto ficou com uma expressão ainda mais triste e os três Cavaleiros se puseram a chorar novamente:
- Muito se engana, irmão Guerra, se você pensa que tudo o que eu posso fazer é retirar a comida da boca dos homens. A fome é uma metáfora que você deve ter falhado perceber. Chamam-me Fome por causa do vazio que causo e esse talvez fosse um nome muito mais apropriado a mim, Vazio. Minha influência vai tão além do alimento físico que você talvez não faça idéia, mas eu posso tentar explicar. A miséria, a falta de esperança, o medo, o ódio, a falta de amor, a solidão, a depressão, o desespero, a apatia, são todas minhas ações. São todos resultados do poder do Vazio na mente e no espírito dos homens. Hoje as pessoas se afastam umas das outras cada vez mais através da tecnologia, se acomodam em vidas que não são felizes, mas não são tampouco infelizes, e isso as satisfaz. As pessoas se envolvem em relacionamentos vazios e sem significados, com medo da dor de perder um amor, e isso só fortalece a falta de esperança, a solidão e tristeza no mundo.
Guerra estava lívido, Peste parecia confuso e Morte sorria com lágrimas nos olhos:
- Prossiga irmão.
Fome suspirou e falou mais:
- Enquanto houver no mundo a dúvida, a falta de coragem, a falta de insistência, o medo de tentar. Eu, o Vazio, vou me alimentar dessas coisas e meu poder só vai crescer. O espírito dos homens está quase morto. A vida miserável que levam é o bastante pra eles. Sem sucesso real, sem alegria real, sem amor real. Morre a poesia e o romantismo e florescem o cinismo e o medo. Medo da morte, medo da guerra, medo da peste, medo da dor, medo do amor, medo da solidão, medo de tudo, medo do VAZIO. Os homens temem a vida hoje mais que qualquer coisa meus irmãos, eles temem o que querem e o que poderiam alcançar se realmente tivessem coragem pra tanto, isso é a minha força!
Morte não resistiu e se levantou aplaudindo, lágrimas escorrendo pelo seu rosto:
- A coroa é sua irmão, você me convenceu! - Do indicador da mão direita, Morte puxou um anel pálido e o entregou para Fome. Assim que o anel foi colocado em seu dedo, Fome se levantou e saiu do restaurante. O dia aos poucos clareou e parou de chover, o sol se arriscou iluminar novamente a rua.
Guerra se levantou irritado na sequência e saiu empurrando Peste pra fora do estabelecimento, Morte ficou pra trás e pediu uma outra fatia de torta de banana com calda quente.
- Cavaleiro do Vazio...soa estranho...Cavaleiro do Medo? - Conversava sozinho. - De qualquer forma, ninguém vai reescrever o livro, vão sempre conhece-lo como Fome, sem saber o que realmente aquela palavra significa...
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
A Mulher da Minha Vida
[Atendendo a milhares de pedidos, mentira, mas atendendo a um único pedido muito especial, eu vou fazer um novo post com o tema "A Mulher da Minha Vida". O post anterior deu uma boa idéia do que eu penso sobre o assunto, mas aqui eu pretendo me focar mais na mítica forma de uma única mulher que seria essa ninfa prometida a esse pobre Troll que vos escreve...]
A mulher da minha vida vai surgir na hora certa, nem um segundo antes e nem um segundo depois. Ela vai ter bagagem e isso fará dela uma pessoa mais madura e competente em se relacionar, me deixando ainda mais encantado.
Ela será inteligente e independente. Vai ser engraçada também e conversar com ela vai me fazer sentir bem como eu nunca me senti antes. Quando ela chegar meu estômago ficará frio e quando ela se for, meu coração ficará pesado.
A mulher da minha vida nunca vai me julgar levianamente ou ter preconceitos bobos contra mim, mas ela vai sempre me criticar com carinho pra me tornar uma pessoa melhor no que eu puder. Antes de ser minha mulher, ela será minha amiga, minha conselheira, minha companheira, minha mentora em alguns assuntos e minha aprendiz em outros.
Ela vai ser uma verdadeira tigresa, sensual, provocante. Com pouco mais que um carinho bem colocado no pescoço ela vai me fazer acreditar eu vi o paraíso, e quando estiver realmente empenhada, não faço idéia do estrago que ela vai ser capaz de fazer.
A mulher da minha vida será absolutamente linda e maravilhosa, não me importando o que digam, aos meus olhos eu sempre verei uma ninfa de esplendor sobrenatural. O cheiro dela vai me fazer uivar de prazer e seu olhar vai me paralisar e me acalmar, como se eu pudesse passar dias somente olhando pra ela e aquela luz que ela emanará, aquela beleza dela poderá me alimentar.
Ela vai estar pronta pra mim quando nos encontrarmos, e ela vai me odiar e me temer a princípio, ela não vai querer ser domada. Ou pelo menos não logo de cara. Mas ela vai eventualmente entender as circunstâncias especiais do nosso encontro e se render. E a partir dali é que a aventura realmente vai começar.
Pensando aqui, eu realmente já tenho tudo organizado, talvez porque eu ache que eu e a mulher da minha vida já nos conhecemos...quem sabe?
A mulher da minha vida vai surgir na hora certa, nem um segundo antes e nem um segundo depois. Ela vai ter bagagem e isso fará dela uma pessoa mais madura e competente em se relacionar, me deixando ainda mais encantado.
Ela será inteligente e independente. Vai ser engraçada também e conversar com ela vai me fazer sentir bem como eu nunca me senti antes. Quando ela chegar meu estômago ficará frio e quando ela se for, meu coração ficará pesado.
A mulher da minha vida nunca vai me julgar levianamente ou ter preconceitos bobos contra mim, mas ela vai sempre me criticar com carinho pra me tornar uma pessoa melhor no que eu puder. Antes de ser minha mulher, ela será minha amiga, minha conselheira, minha companheira, minha mentora em alguns assuntos e minha aprendiz em outros.
Ela vai ser uma verdadeira tigresa, sensual, provocante. Com pouco mais que um carinho bem colocado no pescoço ela vai me fazer acreditar eu vi o paraíso, e quando estiver realmente empenhada, não faço idéia do estrago que ela vai ser capaz de fazer.
A mulher da minha vida será absolutamente linda e maravilhosa, não me importando o que digam, aos meus olhos eu sempre verei uma ninfa de esplendor sobrenatural. O cheiro dela vai me fazer uivar de prazer e seu olhar vai me paralisar e me acalmar, como se eu pudesse passar dias somente olhando pra ela e aquela luz que ela emanará, aquela beleza dela poderá me alimentar.
Ela vai estar pronta pra mim quando nos encontrarmos, e ela vai me odiar e me temer a princípio, ela não vai querer ser domada. Ou pelo menos não logo de cara. Mas ela vai eventualmente entender as circunstâncias especiais do nosso encontro e se render. E a partir dali é que a aventura realmente vai começar.
Pensando aqui, eu realmente já tenho tudo organizado, talvez porque eu ache que eu e a mulher da minha vida já nos conhecemos...quem sabe?
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