Ele vinha caminhando bem alegre pelas ruas molhadas do centro, pisava nas poças e chutava a água pra cima. Ao redor dele, elas voavam felizes, uma revoada de fadinhas azuis. Ele se dirigiu até um bar num beco escuro, entrou barulhento, sobressaltando os frequentadores soturnos do boteco.
As fadinhas voaram em todas as direções, derrubando canecas de cerveja e banquinhos, um grupo delas se juntou e puxou a barba de um velho roto, muito magro que estava bebendo pinga no balcão, elas riam e dançavam à volta da cabeça do velho, e puxavam seus cabelos, até que ele levantou a mão e a abanou insistente até que elas o deixassem em paz. O jovem que acabara de entrar no bar sabia que era incomum que as pessoas vissem ou sentissem as fadas azuis, isso significava que aquele velho era alguém especial.
- Te pago uma bebida. - Disse o jovem.
- Eu aceito. - Respondeu o velho.
Era tarde da noite e o bar não devia ter mais do que 10 ou 15 clientes sentados em mesas espalhadas. No balcão os únicos eram o velho e o jovem recém chegado.
- Sou Gordon. - O jovem estendeu a mão, mas o velho a ignorou.
- Eu sei. Mestre das fadas azuis, o Convicto, Portador dos Olhos de Besta. - Disse o velho com mistério na voz.
Os olhos de Gordon brilharam, amarelos como os de um tigre, mas logo voltaram ao normal.
- Não se atreva a olhar pra mim com essas coisas! - Ralhou o velho.
- Como você pode ver as fadas? Como sabe dos meus olhos? Quem é você?
O velho cofiou a barba e com um gole terminou o copo de pinga. Levantou-se e começou a andar pra fora do bar. - Vamos dar uma volta garoto.
Os dois saíram do bar, o beco úmido e gelado não intimidou o velho que usava roupas leves e mulambentas. Assim que o rapaz saiu do bar as fadinhas azuis voaram para fora da porta como uma lufada de vento carregando poeira brilhante e azul, elas seguiam os dois pela rua.
- Você sabe onde está? - Perguntou o velho monge-mendigo.
- Sei.
- Tem certeza?
- Claro que tenho certeza, que porra de pergunta é essa?
Os dois continuavam andando no caminho pelo qual Gordon viera, mas de repente, as ruas foram desaparecendo e uma floresta escura e sombria os cercava. Caminhavam por uma trilha mal marcada, corvos estavam pousados nos galhos secos das árvores retorcidas e grasnavam ve ou outra.
- Ainda sabe onde está?
Gordon olhou ao redor, finalmente se dando conta do cenário surreal.
- Onde eu estou?
O velho sorriu com pena. Caminhou até a beira da trilha e se sentou numa pedra. As fadinhas já não mais voavam ao redor do jovem, pareciam ter todas sumido, mas ao longe, de todos os lados da floresta, pequenos pontos vermelhos merchavam na escuridão de encontro aos dois personagens.
- Essa floresta é só um dos muitos lugares sem nome que você vai encontrar por aí. Nós estamos num lugar chamado "O Vórtex". Você já esteve aqui, passou a maior parte da sua vida aqui, mas por alguma razão, você se esqueceu. Agora é hora de relembrar tudo o que passou e finalmente descobrir quem você é. As lições que você tirar disso é que vão te ajudar no mundo real.
Gordon olhava pro velho assombrado, sabia no fundo que tudo aquilo era verdade, mas não tinha ainda idéia do que aquelas palavras representavam.
No chão da floresta os pontos vermelhos foram se aproximando, eram homenzinhos vermelhos com no máximo 2cm de altura e caudas afiadas. Eles cercavam Banks com os bracinhos estendidos, começaram a escalar o corpo do rapaz que assistia paralisado.
- Eles são a Angústia, eles vão te mostrar o que aconteceu. Vão te mostrar o que você esqueceu, mas precisa se lembrar.
Um dos pequenos demônios escalou até a boca de Banks, ela se abriu sem que o rapaz percebesse e o pequenino escorreu-lhe goela abaixo. O que aconteceu depois, já não estava muito claro para Gordon...
A SEGUIR, Guerras Secretas orgulhosamente REapresentam: As Crônicas do Vortex (Versão 2.0)
sexta-feira, 31 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Morre um poeta, nasce um rufião...
No meio do pântano havia uma mansão, tinha a aparência antiga e podre, porém imponente. O interior estava quase completamente vazio, poucos móveis, muitos deles cobertos por pesados lençóis brancos. Camadas seculares de poeira cobriam tudo no interior. Na imensa sala de estar, uma lareira apagada e uma poltrona de camurça vermelha. Sentado na poltrona, observando a noite clara lá fora pela janela embaçada de sujeira, um jovem de cabelos negros e olhos furiosos. Parecia impaciente sentado, balançava a perna direita, parou. Levantou-se e caminhou vagamente pela sala, indo até um ponto ou outro.
Ecoaram passos desiguais no hall de entrada, alguém vinha se aproximando. De repente a lareira se acendeu e um ferro de revirar brasas caiu com a ponta no fogo.
Na entrada da sala de estar apareceu um outro jovem, a mesma constituição, alto e gordo. Eram idênticos na verdade, como gêmeos, mas o recém-chegado tinha sobre o olho direito uma faixa de pano escuro, um tapa-olho improvisado ainda manchado de sangue. A perna direita era amputada logo abaixo do joelho e no lugar da perna uma prótese mal feita de madeira escura.
Os dois se encararam longamente, o ar da sala ficando cada vez mais pesado. O caolho tinha uma aparência ainda mais cruel que seu gêmeo, mas o outro mantinha firme nele um olhar de sagacidade, como se ele soubesse de algo que ninguém mais sabia.
Na poltrona vermelha, uma enorme aranha caminhava por cima da camurça poída, as pernas cabeludas vagarosamente ganhando espaço.
- Você tem certeza? - O caolho perguntou com seriedade.
O outro jovem olhou pela janela, o luar iluminando os charcos, ao longe os grilos cricrilando e alguns sapos coaxando.
- Tenho certeza. - Respondeu convicto.
O caolho mancou até o outro, esse por sua vez se deitou no chão, fitando o teto com determinação. O coxo se ajoelhou com extrema dificuldade, seu corpo enorme apoiado todo no joelho manco. Ele revirou um bolso do casaco pesado que vestia e sacou uma navalha de prata de aparência magnífica, muito brilhante e afiada. Colocou-a no chão empoeirado e voltou a revirar os bolsos.
- Onde raios eu os meti? - resmungou. - Aqui!
Tirou do bolso um par de esferas amarelas e gosmentas, com uma olhada melhor, percebia-se que eram dois olhos de animal. Colocou-os no chão e apanhou a navalha novamente. De maneira dramática, abriu a navalha e a pontou para o céu, a luz da luz refletiu na lâmina afiadíssima.
- Você tem certeza? - O caolho perguntou uma segunda vez.
- Tenho certeza! - O jovem respondeu ainda olhando fixamente para o teto parecendo muito determinado.
O outro encarava o rapaz deitado no chão com um olhar que misturava apreensão e pena.
- Faça! - Ordenou o paciente.
O caolho desceu a navalha sobre o olho direito do jovem, cortou fundo a carne e o sangue escorreu livremente enquanto o rapaz gritava de dor, mas ainda perfeitamente parado deitado no chão. Com a parte chata da lâmina o Caolho puxou pra fora o olho que saiu ainda inteiro da órbita, preso apenas por um cordão carnoso no fundo, a lâmina da navalha cortou o cordão e o primeiro olho foi removido. Com desleixo o cirurgião largou o olho no chão empoeirado, ia começar a repetir a operação no lado esquerdo. Sem hesitar, enfiou fundo a navalha na carne do rapaz novamente e em pouco tempo, apesar dos gritos, o segundo olho foi removido.
O coxo se levantou vagarosamente e foi até a lareira, pegou o ferro de revirar brasas, a ponta que tinha caído no fogo estava agora vermelha e incandescente. Ele voltou até o jovem deitado que gemia de dor. Pegou o primeiro dos olhos amarelos de besta e ligou os dois cordões carnosos com a ponta quentíssima da ferramente de metal, o rapaz nesse momento se debateu e urrou. Com calma o Caolho enfiou o olho na órbita e recosturou as pálpebras. Depois ele repetiu o processo doloso de fundir a carne com o ferro quente e novamente costurou as pálpebras, mas dessa vez do olho esquerdo.
Acabara a "cirurgia", ou pelo menos o ritual, e o macabro aleijado se afastou do paciente. O jovem se sentou com os olhos fechados, depois com algum esforço ficou de pé e então pela primeira vez ele abriu os olhos.
Foi surpreendente. A mansão, antes velha e decrépita, era agora um luxuoso palácio, enfeitado de ouros e pratas e pedras preciosas por todos os lados. Os móveis, agora muitos, eram feitos de madeira de lei e estavam limpos e brilhantes. As paredes e o chão, antes vazios e poeirentos, estavam agora enfeitados com tapetes e tapeçarias esplêndidos. Ao olhar pela janela, os vidros estavam claros como cristais, e a paisagem lá fora não era nada inferior a maravilhosa, um prado imenso e verdejante, onde brisas mornas sopravam de todas as direções, as flores mais coloridas que o rapaz jamais vira estavam coroadas de joaninhas e borboletas e abelhas. Um agradável ruído de cigarras vinha de longe, como nas tardes de verão da infância do jovem.
Ele procurou com seus olhos de besta o seu gêmeo de aparência cruel, mas encontrou o rapaz com cabelo e barba aparados, o olho direito estava coberto por um tapa-olho negro de veludo costurado com fios de ouro e a perna amputada dava lugar a uma prótese de platina incrivelmente brilhante.
- Deu certo. - O jovem recém-operado comentou ainda impressionado com tudo que via.
- Sim, deu certo. Você abriu mão dos seus olhos sensíveis de poeta, seus olhos sinceros e honestos de amante, seus olhos leais de amigo. Por um par de olhos de besta, cínicos, mesquinhos e fúteis! Você agora vê o mundo do mesmo jeito que todas as outras pessoas.
- Eu vejo o mundo como um ignorante. - O jovem disse sombrio.
O caolho se abaixou no chão e recolheu os olhos de poeta, guardou-os no bolso.
- Não vou mais precisar deles, pode jogar fora.
- Vou guardar. Algo me diz que você vai querer de volta.
O cirurgião saiu da mansão e meteu o pé numa poça de lama, os sapos coaxaram no pântano da realidade, mas lá dentro, no palácio da ignorância, tudo estava bem.
Gordon "Troll" Banks
Ecoaram passos desiguais no hall de entrada, alguém vinha se aproximando. De repente a lareira se acendeu e um ferro de revirar brasas caiu com a ponta no fogo.
Na entrada da sala de estar apareceu um outro jovem, a mesma constituição, alto e gordo. Eram idênticos na verdade, como gêmeos, mas o recém-chegado tinha sobre o olho direito uma faixa de pano escuro, um tapa-olho improvisado ainda manchado de sangue. A perna direita era amputada logo abaixo do joelho e no lugar da perna uma prótese mal feita de madeira escura.
Os dois se encararam longamente, o ar da sala ficando cada vez mais pesado. O caolho tinha uma aparência ainda mais cruel que seu gêmeo, mas o outro mantinha firme nele um olhar de sagacidade, como se ele soubesse de algo que ninguém mais sabia.
Na poltrona vermelha, uma enorme aranha caminhava por cima da camurça poída, as pernas cabeludas vagarosamente ganhando espaço.
- Você tem certeza? - O caolho perguntou com seriedade.
O outro jovem olhou pela janela, o luar iluminando os charcos, ao longe os grilos cricrilando e alguns sapos coaxando.
- Tenho certeza. - Respondeu convicto.
O caolho mancou até o outro, esse por sua vez se deitou no chão, fitando o teto com determinação. O coxo se ajoelhou com extrema dificuldade, seu corpo enorme apoiado todo no joelho manco. Ele revirou um bolso do casaco pesado que vestia e sacou uma navalha de prata de aparência magnífica, muito brilhante e afiada. Colocou-a no chão empoeirado e voltou a revirar os bolsos.
- Onde raios eu os meti? - resmungou. - Aqui!
Tirou do bolso um par de esferas amarelas e gosmentas, com uma olhada melhor, percebia-se que eram dois olhos de animal. Colocou-os no chão e apanhou a navalha novamente. De maneira dramática, abriu a navalha e a pontou para o céu, a luz da luz refletiu na lâmina afiadíssima.
- Você tem certeza? - O caolho perguntou uma segunda vez.
- Tenho certeza! - O jovem respondeu ainda olhando fixamente para o teto parecendo muito determinado.
O outro encarava o rapaz deitado no chão com um olhar que misturava apreensão e pena.
- Faça! - Ordenou o paciente.
O caolho desceu a navalha sobre o olho direito do jovem, cortou fundo a carne e o sangue escorreu livremente enquanto o rapaz gritava de dor, mas ainda perfeitamente parado deitado no chão. Com a parte chata da lâmina o Caolho puxou pra fora o olho que saiu ainda inteiro da órbita, preso apenas por um cordão carnoso no fundo, a lâmina da navalha cortou o cordão e o primeiro olho foi removido. Com desleixo o cirurgião largou o olho no chão empoeirado, ia começar a repetir a operação no lado esquerdo. Sem hesitar, enfiou fundo a navalha na carne do rapaz novamente e em pouco tempo, apesar dos gritos, o segundo olho foi removido.
O coxo se levantou vagarosamente e foi até a lareira, pegou o ferro de revirar brasas, a ponta que tinha caído no fogo estava agora vermelha e incandescente. Ele voltou até o jovem deitado que gemia de dor. Pegou o primeiro dos olhos amarelos de besta e ligou os dois cordões carnosos com a ponta quentíssima da ferramente de metal, o rapaz nesse momento se debateu e urrou. Com calma o Caolho enfiou o olho na órbita e recosturou as pálpebras. Depois ele repetiu o processo doloso de fundir a carne com o ferro quente e novamente costurou as pálpebras, mas dessa vez do olho esquerdo.
Acabara a "cirurgia", ou pelo menos o ritual, e o macabro aleijado se afastou do paciente. O jovem se sentou com os olhos fechados, depois com algum esforço ficou de pé e então pela primeira vez ele abriu os olhos.
Foi surpreendente. A mansão, antes velha e decrépita, era agora um luxuoso palácio, enfeitado de ouros e pratas e pedras preciosas por todos os lados. Os móveis, agora muitos, eram feitos de madeira de lei e estavam limpos e brilhantes. As paredes e o chão, antes vazios e poeirentos, estavam agora enfeitados com tapetes e tapeçarias esplêndidos. Ao olhar pela janela, os vidros estavam claros como cristais, e a paisagem lá fora não era nada inferior a maravilhosa, um prado imenso e verdejante, onde brisas mornas sopravam de todas as direções, as flores mais coloridas que o rapaz jamais vira estavam coroadas de joaninhas e borboletas e abelhas. Um agradável ruído de cigarras vinha de longe, como nas tardes de verão da infância do jovem.
Ele procurou com seus olhos de besta o seu gêmeo de aparência cruel, mas encontrou o rapaz com cabelo e barba aparados, o olho direito estava coberto por um tapa-olho negro de veludo costurado com fios de ouro e a perna amputada dava lugar a uma prótese de platina incrivelmente brilhante.
- Deu certo. - O jovem recém-operado comentou ainda impressionado com tudo que via.
- Sim, deu certo. Você abriu mão dos seus olhos sensíveis de poeta, seus olhos sinceros e honestos de amante, seus olhos leais de amigo. Por um par de olhos de besta, cínicos, mesquinhos e fúteis! Você agora vê o mundo do mesmo jeito que todas as outras pessoas.
- Eu vejo o mundo como um ignorante. - O jovem disse sombrio.
O caolho se abaixou no chão e recolheu os olhos de poeta, guardou-os no bolso.
- Não vou mais precisar deles, pode jogar fora.
- Vou guardar. Algo me diz que você vai querer de volta.
O cirurgião saiu da mansão e meteu o pé numa poça de lama, os sapos coaxaram no pântano da realidade, mas lá dentro, no palácio da ignorância, tudo estava bem.
Gordon "Troll" Banks
Quando se deixa de acreditar nas fadas, elas morrem?
Parte 1: Se você acredita, bata palmas.
Eu sentei no chão no escuro como costumo fazer sempre. Deixei os meus pequenos demônios correrem livres pela minha pele, escalarem minha coluna até meu cérebro e sussurrarem blasfêmias nos meus ouvidos. Antes eram fadinhas azuis, agora são homenzinhos vermelhos, com caudas afiadas. Ele riem e debocham de mim no escuro, peidam e gargalham. São uns sujeitinhos engraçados e malignos.
Me peguei pensando mais uma vez naquela relação íntima entre dor e inspiração. Bukowski disse "Não é a dor que cria a obra. É o artista." Eu respeitosamente duvido do meu mestre. Exato, eu não discordo, não totalmente, acho que deve sim existir o mérito do artista na criação da obra, mas será que a dor não tem mesmo nada a ver com isso?
Aí você vai ficar puto comigo e dizer algo do tipo "Puta merda, achei que tinha acabado a choradeira!" e olha, você entendeu tudo errado, a choradeira acabou, o problema é justamente esse. E agora? E agora que eu não tenho sobre o que escrever? E agora que eu já não escrevo mais nada com a intenção de que um certo alguém leia?
Quero dizer, se eu não sofro por nada, basicamente eu não tenho sobre o que desabafar e sendo assim, não tenho sobre o que escrever.
Os pequenos demônios dançam e cantam em cima das minhas mãos, um pequeno ritual maluco deles. Me pego pensando, será que querem dizer algo? Será isso algum tipo de sinal? Eu devo tentar de alguma forma mudar a minha motivação, tentar escrever por outros meios que não a dor? É um bocado pra se transmitir apenas dançando pelado em cima da mão de um gigante, mas acho que seria um bom palpite.
E qual o oposto da dor? Não penso nisso a tanto tempo que nem bem me lembro mais. Aí um dos danadinhos se pendura no meu alargador na orelha esquerda e grita "Prazer!" em alto e bom português. Escrever sobre o prazer, sobre as coisas que me deixam feliz. Ousado, muito ousado. Esses carinhas não estão de brincadeira.
Ta legal, e o que viria a ser uma dessas coisas que me deixam feliz? Dinheiro, mulheres, amigos, bebês foca? Tudo isso me deixa moderadamente feliz acho. Não é muito, mas é um começo, vou pensar no assunto, deixar as idéias cozinharem um pouco mais na minha cabeça. Rascunhar uns textos sobre dinheiro, mulheres e amigos, talvez até sobre bebês foca. Com certeza rascunhar algo sobre drogas. Meditação. Ei, parece que tudo está vindo com facilidade pra mim agora. Acho que os diabinhos estavam mesmo certos no final das contas.
Em comemoração eles parecem estar dançando mais do que nunca, alguns se jogam dos meus ombros e caem no meu colo, uma baita distância pra quem tem 2cm de altura, as fadinhas pelo menos tinham asinhas de formiga. Gritam e riem e peidam e gargalham e xingam.
Eu não preciso sofrer por ninguém pra ser tudo que eu posso ser. Ainda mais sofrer por alguém que não quer meu sofrimento. Deixo meu sangue, meu suor e minhas lágrimas pra pessoas mais dispostas. Ou pra um momento mais oportuno. No momento o que vai aumentar o fogo na fornalha, são coisas boas.
E aí eu olhos pras minhas mãos e ao meu redor e eles se foram, os homenzinhos vermelhos. Acho que voltaram para seu pequeno castelo de fogo. Foram dormir até que eu precise deles. E quando olho pra cima, tenho a impressão de ver pequenos borrões azuis, acho que minhas fadinhas estão voltando pra mim.
Claro que isso tudo de fadas e diabinhos é bobagem, mas vocês entenderam.
Gordon "Troll" Banks
Eu sentei no chão no escuro como costumo fazer sempre. Deixei os meus pequenos demônios correrem livres pela minha pele, escalarem minha coluna até meu cérebro e sussurrarem blasfêmias nos meus ouvidos. Antes eram fadinhas azuis, agora são homenzinhos vermelhos, com caudas afiadas. Ele riem e debocham de mim no escuro, peidam e gargalham. São uns sujeitinhos engraçados e malignos.
Me peguei pensando mais uma vez naquela relação íntima entre dor e inspiração. Bukowski disse "Não é a dor que cria a obra. É o artista." Eu respeitosamente duvido do meu mestre. Exato, eu não discordo, não totalmente, acho que deve sim existir o mérito do artista na criação da obra, mas será que a dor não tem mesmo nada a ver com isso?
Aí você vai ficar puto comigo e dizer algo do tipo "Puta merda, achei que tinha acabado a choradeira!" e olha, você entendeu tudo errado, a choradeira acabou, o problema é justamente esse. E agora? E agora que eu não tenho sobre o que escrever? E agora que eu já não escrevo mais nada com a intenção de que um certo alguém leia?
Quero dizer, se eu não sofro por nada, basicamente eu não tenho sobre o que desabafar e sendo assim, não tenho sobre o que escrever.
Os pequenos demônios dançam e cantam em cima das minhas mãos, um pequeno ritual maluco deles. Me pego pensando, será que querem dizer algo? Será isso algum tipo de sinal? Eu devo tentar de alguma forma mudar a minha motivação, tentar escrever por outros meios que não a dor? É um bocado pra se transmitir apenas dançando pelado em cima da mão de um gigante, mas acho que seria um bom palpite.
E qual o oposto da dor? Não penso nisso a tanto tempo que nem bem me lembro mais. Aí um dos danadinhos se pendura no meu alargador na orelha esquerda e grita "Prazer!" em alto e bom português. Escrever sobre o prazer, sobre as coisas que me deixam feliz. Ousado, muito ousado. Esses carinhas não estão de brincadeira.
Ta legal, e o que viria a ser uma dessas coisas que me deixam feliz? Dinheiro, mulheres, amigos, bebês foca? Tudo isso me deixa moderadamente feliz acho. Não é muito, mas é um começo, vou pensar no assunto, deixar as idéias cozinharem um pouco mais na minha cabeça. Rascunhar uns textos sobre dinheiro, mulheres e amigos, talvez até sobre bebês foca. Com certeza rascunhar algo sobre drogas. Meditação. Ei, parece que tudo está vindo com facilidade pra mim agora. Acho que os diabinhos estavam mesmo certos no final das contas.
Em comemoração eles parecem estar dançando mais do que nunca, alguns se jogam dos meus ombros e caem no meu colo, uma baita distância pra quem tem 2cm de altura, as fadinhas pelo menos tinham asinhas de formiga. Gritam e riem e peidam e gargalham e xingam.
Eu não preciso sofrer por ninguém pra ser tudo que eu posso ser. Ainda mais sofrer por alguém que não quer meu sofrimento. Deixo meu sangue, meu suor e minhas lágrimas pra pessoas mais dispostas. Ou pra um momento mais oportuno. No momento o que vai aumentar o fogo na fornalha, são coisas boas.
E aí eu olhos pras minhas mãos e ao meu redor e eles se foram, os homenzinhos vermelhos. Acho que voltaram para seu pequeno castelo de fogo. Foram dormir até que eu precise deles. E quando olho pra cima, tenho a impressão de ver pequenos borrões azuis, acho que minhas fadinhas estão voltando pra mim.
Claro que isso tudo de fadas e diabinhos é bobagem, mas vocês entenderam.
Gordon "Troll" Banks
sábado, 25 de julho de 2009
Aquele bar na esquina da Mothway...
Parte 1: Jack, Charlie, e o grande baile
Depois de um ano no Japão, era de se esperar que Jack tivesse virado um cara mais Zen. Ele até tentava, mas não era bem o estilo dele, por mais que ele quizesse honrar a memória do amigo Charlie. Assim que saiu do retiro começou a beber pesadamente, andava nos lugares mais escuros e sujos das cidades pelas quais passava. Botecos baratos, fumando cigarros baratos. Foi num desses lugares que ele conheceu o Troll.
O Troll era um cara com a mesma idade de Jack, era do tipo grandalhão, um sujeiro engraçado, perturbadoramente parecido com Charlie. Jack conseguia sentir a fúria por trás dos olhos alegres do sujeito. Estava indo pro Norte procurar emprego nos navios pesqueiros, mas tinha dado uma estacionada por ali torrando a grana que tinha ganho trabalhando como capanga de algum figurão em El Salvador.
Os dois vinham se encontrando com frequência num boteco sujo e escuro na esquina da 6ª com a Mothway.
Jack chegou por volta das 8 da noite, era um dos primeiros clientes. Bebeu duas cervejas e um scotch, acendeu um cigarro e ficou vendo a Tv, passava um jogo de soccer inglês, o Meyerside Derby. Lá pelas 11 a porta abriu com força e o sino que ficava na entrada deu uma volta completa no eixo, o Troll chegou, visivelmente bêbado. Cambaleou pelo bar e se sentou junto com Jack.
- Hey Jack.
- Hey Troll, pelo jeito já começou sem mim.
Os dois riram e ficaram em silêncio, o Troll pediu cerveja pra dois, mas ficou com as duas canecas, Jack ja tinha se acostumado com isso, pediu uma caneca pra si. Beberam conversando, o jogo ainda na tv, o bar encheu um pouco mais, mas logo esvaziou lá pelas 2 da manhã, os dois ainda bebiam com vontade. Depois veio mais silêncio.
- Um amigo meu se matou. - Jack disse subitamente.
- Esperto.
- Acha graça?
- Não, acho esperto. Se achasse graça teria dito "Engraçado".
- Foi no último ano do colegial, na noite do baile de formatura.
- O universo não gosta de trapaceiros. Me disseram isso uma vez. Suicídio é como usar código pra vencer num jogo, cartas marcadas.
- Ele era bem parecido com você. Eu nunca entendi porque ele se matou. Me senti culpado.
- Eu não vou me matar, ainda não. Se é isso que te preocupa.
- Ir pro mar pescar carangueijos é um jeito bem complexo de tentar se matar, mas não deixa de ser uma tentativa de suicídio.
Troll terminou mais uma caneca de cerveja, pediu a próxima. Jack acendeu mais um cigarro.
- Estamos todos nos matando aos poucos Jack. Cigarros, bebida, carne vermelha, automóveis. Acho o cúmulo todo mundo me julgar só porque eu quero algo mais teatral. A vida termina em morte de qualquer jeito.
- Entendo.
- Vida é superestimada. Comer, beber, foder, tudo superestimado.
Jack não tinha argumentos pra rebater, se pegou pensando nas palavras amargas do Troll. Se pegou pensando em como o Troll era parecido com o falecido Charlie, mas por alguma razão ainda estava ali, lutando, comendo , bebendo, fodendo.
- O que você está esperando então? Porque não se mata logo?
O Troll deu um longo gole na cerveja e fechou os olhos trazendo à lembrança algo que só ele podia ver.
- Eu sou curioso Jack. Acho que é por isso. O que tem me segurado por aqui é o "E se...?".
O barman se aproximou e anunciou que o bar ia fechar, já eram 4:30 da manhã. Jack alcançou a carteira, mas o Troll foi mais rápido e jogou um bolinho de notas amassadas no balcão.
- Dinheiro sujo. Mas serve pra pagar cerveja.
Do lado de fora do bar os dois se despediram como sempre faziam, mas no dia seguinte o Troll não apareceu, nem nunca mais, levaria anos até que Jack o visse de novo, ele tinha ido pro Norte atrás dos seus carangueijos e barcos de pesca, atrás de sua teatral morte branca.
Depois de um ano no Japão, era de se esperar que Jack tivesse virado um cara mais Zen. Ele até tentava, mas não era bem o estilo dele, por mais que ele quizesse honrar a memória do amigo Charlie. Assim que saiu do retiro começou a beber pesadamente, andava nos lugares mais escuros e sujos das cidades pelas quais passava. Botecos baratos, fumando cigarros baratos. Foi num desses lugares que ele conheceu o Troll.
O Troll era um cara com a mesma idade de Jack, era do tipo grandalhão, um sujeiro engraçado, perturbadoramente parecido com Charlie. Jack conseguia sentir a fúria por trás dos olhos alegres do sujeito. Estava indo pro Norte procurar emprego nos navios pesqueiros, mas tinha dado uma estacionada por ali torrando a grana que tinha ganho trabalhando como capanga de algum figurão em El Salvador.
Os dois vinham se encontrando com frequência num boteco sujo e escuro na esquina da 6ª com a Mothway.
Jack chegou por volta das 8 da noite, era um dos primeiros clientes. Bebeu duas cervejas e um scotch, acendeu um cigarro e ficou vendo a Tv, passava um jogo de soccer inglês, o Meyerside Derby. Lá pelas 11 a porta abriu com força e o sino que ficava na entrada deu uma volta completa no eixo, o Troll chegou, visivelmente bêbado. Cambaleou pelo bar e se sentou junto com Jack.
- Hey Jack.
- Hey Troll, pelo jeito já começou sem mim.
Os dois riram e ficaram em silêncio, o Troll pediu cerveja pra dois, mas ficou com as duas canecas, Jack ja tinha se acostumado com isso, pediu uma caneca pra si. Beberam conversando, o jogo ainda na tv, o bar encheu um pouco mais, mas logo esvaziou lá pelas 2 da manhã, os dois ainda bebiam com vontade. Depois veio mais silêncio.
- Um amigo meu se matou. - Jack disse subitamente.
- Esperto.
- Acha graça?
- Não, acho esperto. Se achasse graça teria dito "Engraçado".
- Foi no último ano do colegial, na noite do baile de formatura.
- O universo não gosta de trapaceiros. Me disseram isso uma vez. Suicídio é como usar código pra vencer num jogo, cartas marcadas.
- Ele era bem parecido com você. Eu nunca entendi porque ele se matou. Me senti culpado.
- Eu não vou me matar, ainda não. Se é isso que te preocupa.
- Ir pro mar pescar carangueijos é um jeito bem complexo de tentar se matar, mas não deixa de ser uma tentativa de suicídio.
Troll terminou mais uma caneca de cerveja, pediu a próxima. Jack acendeu mais um cigarro.
- Estamos todos nos matando aos poucos Jack. Cigarros, bebida, carne vermelha, automóveis. Acho o cúmulo todo mundo me julgar só porque eu quero algo mais teatral. A vida termina em morte de qualquer jeito.
- Entendo.
- Vida é superestimada. Comer, beber, foder, tudo superestimado.
Jack não tinha argumentos pra rebater, se pegou pensando nas palavras amargas do Troll. Se pegou pensando em como o Troll era parecido com o falecido Charlie, mas por alguma razão ainda estava ali, lutando, comendo , bebendo, fodendo.
- O que você está esperando então? Porque não se mata logo?
O Troll deu um longo gole na cerveja e fechou os olhos trazendo à lembrança algo que só ele podia ver.
- Eu sou curioso Jack. Acho que é por isso. O que tem me segurado por aqui é o "E se...?".
O barman se aproximou e anunciou que o bar ia fechar, já eram 4:30 da manhã. Jack alcançou a carteira, mas o Troll foi mais rápido e jogou um bolinho de notas amassadas no balcão.
- Dinheiro sujo. Mas serve pra pagar cerveja.
Do lado de fora do bar os dois se despediram como sempre faziam, mas no dia seguinte o Troll não apareceu, nem nunca mais, levaria anos até que Jack o visse de novo, ele tinha ido pro Norte atrás dos seus carangueijos e barcos de pesca, atrás de sua teatral morte branca.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Menos amor, mais Fúria...(Assombrado)
Um bom amigo me disse que ela não vale a pena.
Um bom amigo me disse que é melhor eu desistir.
Um bom amigo me disse que eu estou fazendo papel de bobo.
Mas e aí, o que eu penso disso tudo? Tenho feito um puta drama, é verdade, admito, mas a galera não tem me ajudado tanto quanto eu gostaria, sei lá...eu que faço tanto pelos outros esperava um pouco mais de apoio.
Muita gente me criticou, porque até então eu era uma fortaleza indestrutível e uma única rachadura deu brecha pra todo um colapso emocional das minhas estruturas. Disseram que eu esperei tempo demais, disseram que eu fui afoito demais, carente demais, chato demais, me disseram que eu era GORDO demais (se fuder né meu?), disseram que eu fiz demais, disseram que eu fiz de menos. Todo mundo deu pitaco. Beleza que eu fui atrás de opinião e estava sujeito a ouvir coisas que não queria.
A unanimidade pareceu querer me dizer "Cara, pelo menos vc tentou, parte pra outra."
Eu tenho dificuldade de engolir isso. Segundo e último lugar não se diferenciam pra mim, só vence quem chega em primeiro. Eu falhei. Mais do que um coração partido, orgulho ferido.
O que eu acho engraçado é que as pessoas esperam que eu sofra, mesmo que por anos. Se algum dia no futuro eu chegar a sentir algo por alguém novamente, vão todos logo dizer "Viu? Era só drama!"
Eu fiquei mal e sofri bastante, cabeça vazia é a oficina do diabo, esse ditado nunca me pareceu tão certo. Mas sei lá, acho que chega...quero dizer, deixa rolar, se for pra ser, quem sabe um dia...talvez eu deva mesmo partir pra outra. Não que por um segundo eu acredite que não vale a pena, mas por realmente achar que eu já to fazendo papel de palhaço. To sofrendo demais, preciso curar essas feridas, batalhas demais num espaço de tempo curto demais.
Eu não sei se estou pronto, mas eu preciso me mexer. Mesmo ainda assombrado pela lembrança dela. Menos amor, mais fúria na minha vida, eu tenho que me colocar em forma, ninguém devia ser capaz de fazer isso comigo...eu sinto que estou voltando, bem aos poucos, mas estou voltando, vocês que me aguardem.
Gordon "Troll" Banks
Um bom amigo me disse que é melhor eu desistir.
Um bom amigo me disse que eu estou fazendo papel de bobo.
Mas e aí, o que eu penso disso tudo? Tenho feito um puta drama, é verdade, admito, mas a galera não tem me ajudado tanto quanto eu gostaria, sei lá...eu que faço tanto pelos outros esperava um pouco mais de apoio.
Muita gente me criticou, porque até então eu era uma fortaleza indestrutível e uma única rachadura deu brecha pra todo um colapso emocional das minhas estruturas. Disseram que eu esperei tempo demais, disseram que eu fui afoito demais, carente demais, chato demais, me disseram que eu era GORDO demais (se fuder né meu?), disseram que eu fiz demais, disseram que eu fiz de menos. Todo mundo deu pitaco. Beleza que eu fui atrás de opinião e estava sujeito a ouvir coisas que não queria.
A unanimidade pareceu querer me dizer "Cara, pelo menos vc tentou, parte pra outra."
Eu tenho dificuldade de engolir isso. Segundo e último lugar não se diferenciam pra mim, só vence quem chega em primeiro. Eu falhei. Mais do que um coração partido, orgulho ferido.
O que eu acho engraçado é que as pessoas esperam que eu sofra, mesmo que por anos. Se algum dia no futuro eu chegar a sentir algo por alguém novamente, vão todos logo dizer "Viu? Era só drama!"
Eu fiquei mal e sofri bastante, cabeça vazia é a oficina do diabo, esse ditado nunca me pareceu tão certo. Mas sei lá, acho que chega...quero dizer, deixa rolar, se for pra ser, quem sabe um dia...talvez eu deva mesmo partir pra outra. Não que por um segundo eu acredite que não vale a pena, mas por realmente achar que eu já to fazendo papel de palhaço. To sofrendo demais, preciso curar essas feridas, batalhas demais num espaço de tempo curto demais.
Eu não sei se estou pronto, mas eu preciso me mexer. Mesmo ainda assombrado pela lembrança dela. Menos amor, mais fúria na minha vida, eu tenho que me colocar em forma, ninguém devia ser capaz de fazer isso comigo...eu sinto que estou voltando, bem aos poucos, mas estou voltando, vocês que me aguardem.
Gordon "Troll" Banks
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Aborto Romântico
Aqueles gosto doce, amargou.
O sentimento bom, se abalou.
A ira solitária, inflamou.
E o que era pra nascer, acabou.
O sentimento bom, se abalou.
A ira solitária, inflamou.
E o que era pra nascer, acabou.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Sou eu
Sou eu quem te faz sorrir;
Sou eu quem te consola ao chorar;
Sou eu quem está sempre lá, mesmo quando não posso ajudar;
Sou eu quem te aceita do jeito que você é, com seus pequenos defeitos maravilhosos;
Sou eu quem vai te buscar de madrugada, mesmo sem ter carro;
Sou eu quem te leva flores nos dias de semana, só pra te fazer uma surpresa;
Sou eu quem te diz tudo o que pensa te olhando nos olhos, sem sentir vergonha;
Sou eu quem canta todas as músicas pensando em você;
Sou eu quem acorda todos os dias pensado nos seus olhos cor de avelã, e por último, mas não menos importante;
Sou eu o cara que você não acha bom o bastante pra você.
Gordon "Troll" Banks
Sou eu quem te consola ao chorar;
Sou eu quem está sempre lá, mesmo quando não posso ajudar;
Sou eu quem te aceita do jeito que você é, com seus pequenos defeitos maravilhosos;
Sou eu quem vai te buscar de madrugada, mesmo sem ter carro;
Sou eu quem te leva flores nos dias de semana, só pra te fazer uma surpresa;
Sou eu quem te diz tudo o que pensa te olhando nos olhos, sem sentir vergonha;
Sou eu quem canta todas as músicas pensando em você;
Sou eu quem acorda todos os dias pensado nos seus olhos cor de avelã, e por último, mas não menos importante;
Sou eu o cara que você não acha bom o bastante pra você.
Gordon "Troll" Banks
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