terça-feira, 7 de julho de 2009

Nada a perder

Na escola, por mais esquisito que eu fosse, nunca me faltaram amigos.

Graças ao sistema de ensino público, eu nunca precisei de nota pra passar de ano. Fui empurrado até me formar (não que eu me orgulhe disso, mas na época parecia um bom negócio).

Aos 19 anos, na minha primeira entrevista de emprego, sendo irônico e cínico, mesmo assim eu consegui o trabalho.

Tudo vinha sem esforço pra mim, os amigos, o diploma, o emprego.

Ainda assim o mundo me condicionava a acreditar que faltava algo, que não era possível ser feliz sozinho. O mundo me fazia acreditar que me faltava uma companheira.
Por anos eu procurei, aqui e ali, mas nós nunca tinhamos muito em comum. Isso até eu encontrar "aquela garota", que eu insisto que é a única pra mim.

Alguns meses se passaram, esses em complacente dormência, até que algo em mim finalmente despertasse e dissesse algo a ela. Mais alguns meses de conversa até faze-la perceber que era viável.

E então, numa única noite, com pouco mais de 3 horas de conversa, eu perdi tudo. A peça que faltava, o que eu sempre acreditei ser tudo o que eu precisava, a coisa que eu mais queria em toda a minha vida que acontecesse.

A vida ficou estranha depois disso. O tempo todo eu sinto essa insensibilidade, como se eu estivesse anestesiado. Os pensamentos vem até mim, mas nada mais tem graça. As engrenagens continuam trabalhando , o universo continua pulsando, mas mesmo assim é como se eu não tivesse mais razão nenhuma pra continuar, nada com o que me importar. Eu perdi tudo o que eu queria, quem eu mais queria ter perto de mim.

Eu não tenho mais nada a perder.

Gordon "Troll" Banks

domingo, 5 de julho de 2009

Escrevidão

Venho escrevendo por compulsão ultimamente.

Não que me incomode, afinal se eu quero ter a mínima chance de um dia ser considerado um escritor sério (ou mesmo um escritor que não mereça respeito, hauhauauahuah), eu tenho que escrever pra praticar, então no final das contas, mesmo a inspiração sendo um pouco dolorosa, eu to adorando esparramar minhas palavras por aí.

Às vezes paro e penso, e sei lá, parece que minha alma expandiu essa semana. Como se a vida toda eu tivesse visto o mundo com 10% da minha visão, mas de repente eu ganho essa capacidade de ver tudo com 20%, e não parece muito, mas tem feito uma diferença enorme pra mim.

As cores de repente parecem todas mais intensas, até os cheiros, os sons, o universo à minha volta pulsando cosmicamente no ritmo do meu coração.

Pensando na fonte desses meus novos "superpoderes", as situações incômodas da vida, eu começo a indagar sobre as coincidências. Aqueles casos que não nos matam, e logo pela sabedoria popular, nos fortalecem.

Talvez tudo realmente tenha hora e lugar pra acontecer, não que eu acredite em deus, mas não ia me surpreender se toda a existência não passasse de uma complexa equação matemática em que todos nós fossemos números a ser resolvidos e nossas interações fossem as operações.

Matemáticas à parte (exatas não é minha área definitivamente), eu tenho mais é que tirar proveito do que me aconteceu e usar a iluminação que adiquiri pra escrever mais e mais.

Viva a Escrevidão!

sábado, 4 de julho de 2009

Intensidade da Alma

Malditos aqueles com almas intensas.
Que sentem tudo demais.
Que riem demais.
Que choram demais.
Que se emocionam demais.

Sensibilidade, a nobre virtude que todos admiram, até perceberem que você talvez seja um pouco sensível demais e além da sua vida, consegue também sentir as vidas alheias, os dramas, problemas e até as alegrias.

Sensibilidade, o nobre defeito que todos aceitam com certa reserva, até perceberem que você talvez seja um pouco sensível demais e além dos seus problemas, consegue também sentir os das vidas alheias, suas trapaças, seus receios e até seus medos.

Sensibilidade, o maldito defeito que todos renegam com nojo, até perceberem que você talvez seja um pouco sensível demais e além dos seus temores, consegue também sentir os das vidas alheias, suas neuras, seus remorsos e seus amores.

Malditos sejam aqueles com almas intensas. Porque sabem demais.

Gordon "Troll" Banks

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Aquele beijo que nunca aconteceu...

Na fatídica noite de terça-feira eu contei "x" oportunidades de beija-la, mas não a beijei nenhuma única vez. Fiquei remoendo isso no caminho de volta pra casa, sentindo raiva de mim mesmo. Não era isso tudo o que você queria?

Mas aí me dei conta, como quase sempre acontece, sentado no chão gelado no escuro, de que um beijo não era TUDO o que eu queria.

De nada ia valer pra mim beija-la uma única vez se eu soubesse que nunca mais iria acontecer novamente. De fato a tortura seria imensamente maior, a de nos conectarmos uma única vez e não ter aquela chance outra vez.

No entanto, ainda me incomoda o mistério. Seria o dela um beijo doce como o das fadas? Um beijo ardente como o das deusas? Ou um beijo suave de uma garota insegura que pela primeira vez é beijada por alguém que se importa tanto com ela?

Sentado no escuro com meus demônios, percorrendo minha pele gelados e insensíveis, repassando pela milésima vez todos os meus erros, a pergunta continua surgindo. Como teria sido aquele beijo?

Mas a verdade é que eu não quero descobrir se não puder experimenta-lo sempre que eu quiser, sempre que ela quiser, sempre que NÓS quisermos.

Mais uma noite sem dormir, mas pelo menos a produção literária continua a todo vapor. Dancem sobre e sob minha pele demônios! Dancem e me soprem as palavras profanas que devo cuspir no mundo!

Gordon "Troll" Banks

quinta-feira, 2 de julho de 2009

The quest for the King Crab

Passei meu dia todo pesquisando sobre a pesca do King Crab no Alaska. King Crab é um carangueijo gigante que só da em águas geladas, é muito raro e caro.

Um pescador consegue em média ganhar 50 mil dólares por 6 meses de trabalho, mas existem casos de temporadas tão fartas que um único pescador conseguiu ganhar 100 mil dólares em 5 DIAS de trabalho! Agora vem cá...e porque raios não está todo mundo trabalhando nessa coisa de pescar carangueijo no Alaska se isso da tanta grana assim?

Acho que essa é a "pegadinha" do negócio.

A pesca do King Crab é o trabalho mais perigoso dos Estados Unidos, a taxa de mortalidade é 90 vezes maior do que a segunda prefissão mais perigosa, que se não me falha a memória é piloto de caça. Os caras morrem às dezenas toda temporada de pesca, afogados ou então de hipotermia. E como se isso não fosse o bastante, a temporada de pesca tem algumas leis que obrigam os pescadores a irem pro mar e lançar suas armadilhas o mais rápido possível, o que resulta numa probabilidade de quase 100% de que você talvez sofra um acidente no qual vc vai perder um braço ou perna. Legal né?

Agora vem a parte mais legal. Eu to pensando de ir pra lá, hauhauhauahahahua.

Absurdo! Seu louco! Já ouvi de tudo em relação a isso, acredite, todo mundo que eu conheço me desaconselhou. Mas sei lá, se (e esse é um grande SE) eu sobreviver a essa merda toda, além de voltar pra casa com os bolsos cheios de grana, eu vou ter engrandecido meu espírito, endurecido meu corpo nos ventos de 50 nós do círculo polar ártico, temperado minha mente na imensidão gelada do mar do Norte. Sei lá, eu acho que seria uma empreitada válida.

Além do que, se eu morrer por lá, o mundo não vai estar perdendo grande coisa, você vai ter que concordar. E eu não tenho nada que me prenda ao mundo no momento, nada que me dê uma boa razao pra voltar pra casa. Enfim, não é que eu esteja indo pra lá pra morrer. Não tem nada a ver com isso. Só acho que nas atuais condições da minha vida, é um risco que vale a pena correr.

Então sei lá, é meio que uma idéia, não chega a ser exatamente um objetivo ainda...AINDA. A temporada de pesca começa em Outubro e termina em Fevereiro, veremos o que rola até lá. Preciso tirar meu passaporte, conseguir visto, vai uma pequena jornada até concluir tudo. E se eu voltar vivo, vivas pra mim, porque serei rico e jovem o bastante pra aproveitar a grana, hauhauahuahuahua.

Eu amo minhas idéias idiotas.

Gordon "Troll" Banks

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Desencontro (Talvez o primeiro de muitos...)

Os direitos da imagem e do wallpaper vão para www.jasonchanart.com

Esse é um wallpaper que tenho há alguns meses e como quase tudo, eu tive muita facilidade em interpretar a cena toda e transporta-la pra minha vida. O traço é apaixonante e a arte em si muito bonita.

Aí você chega pra mim e fala algo do tipo: Você teve facilidade de transportar pra sua vida um gigante de pedra numa cachoeira secreta com uma garota? Que absurdo!

São meus superpoderes meu caro, eu consigo ver tudo. Agora vamos lá, interpretação da imagem.

Pra começar, vamos examinar o que mais chama a atenção na imagem, o Gigante. Não tem muito segredo, ele é um cara grandão, desajeitado, tímido. Provavelmente ele é o rei do pedaço aí nessa cachoeira esquecida pelos deuses, os sapos, peixes e insetos da região são seus únicos amigos, talvez uma lontra. Ele sabe das coisas, não física quântica e literatura, mas as coisas da vida. Ele é antigo e sábio, e nas noites claras de lua cheia, quando o céu fica abarrotado de estrelas, o Gigante se senta e fica olhando os astros brilhantes, imaginando o que é que está lá em cima, fora do seu alcance. Tem alguma coisa errada, ele pode sentir, mas não consegue compreender, mas a verdade é que o coração dele é de pedra.

Aí uma bela manhã, sem que estivesse esperando por qualquer coisa, o Gigante é atingido por algo, uma sensação que percorre seu corpo rochoso como se fosse eletricidade. Uma voz vindo da queda d'água. Os dois então se encontram pela primeira vez, o Gigante do coração de pedra e a garota.

Acho que pra ela era tudo curiosidade e excitação, aquela figura sombria e bizarra, tão diferente de tudo no mundo, de todas as pessoas. Pro Gigante a história já foi outra. Aquela pequena criatura, tão diferente de tudo que ele ja tinha visto nos seus séculos de existência, tão pequena, tão pura, com aqueles olhos e aquele sorriso maravilhosos.

Eles se aproximaram um do outro, sem medo por nenhuma das partes. Eles se conheceram, pelo menos superficialmente. Ela sabia que ele gostava de ver as estrelas só de encarar aquela cara pedregosa de perto, ela sentia certa profundidade nele. Já ele sabia que ela gostava de rir e contar história bobas, a garota tinha uma complexidade que ele jamais enfrentaria com um de seus amigos sapos por exemplo.

Aí ele teve a idéia de faze-la ficar, mas ela tinha dúvidas. Foi quando tudo ficou um pouco frio e triste. E no último gesto desesperado de tentar convence-la de que ali era um bom lugar, o Gigante entrega à garota um flor, um sinal de tudo que naquele jardim havia pra ser descoberto ainda, nos dias que viriam.

Ela aceitou a flor, achou um gesto lindo vindo daquela coisa que imitava a vida humana, mas ela não entendeu que o presente na verdade não era a flor e sim o jardim. Ela partiu logo depois do almoço e o Gigante não entendeu que ela voltava pra sua família, seus amigos, um mundo do qual ele não fazia e talvez jamais fizesse parte.

Naquela noite, ja em casa, a garota se lembrou do Gigante e sorriu cheirando a flor que ele lhe deu. Enquanto que na selva gelada, o Gigante estava sentado no chão, olhando pras estrelas, imaginando se em algum lugar no universo eles teriam a chance de se encontrar em condições mais favoráveis. E se em algum lugar no universo, a garota teria escolhido ficar.

Nem peixe eu como...

Eu só atualizo essa porra quando to mal, acabou de me ocorrer. Aí comecei a pensar no quanto o sofrimento influencia na inspiração.

Van Gogh, Niezstche, Kant, Newton, cambada de lerdo que não pegava ninguém!

Se eu me coloco na categoria acima citada? Mais ou menos.

Eu ando numa fase boa pra mulher na verdade, sério mesmo, eu conto assim de cabeça umas 6 ou 7 das quais com um mero estalar de dedos estariam aqui todas açanhadas pra cima de mim (Ui, gostosão!). Qual é o grilo então? Eu não quero 6 ou 7 mulheres, eu quero UMA mulher e obviamente o motivo do drama todo é que ela não me quer.

What the fuck, por que? Por que é sempre assim? Cara eu fico tão frustrado com isso...

Ciclana gosta de mim, que gosto de Fulana que gosta de um outro cara aí...e nada, nem o universo, nem as vidas passadas, nem a chuva, nem a rosa fizeram ela perceber...espera. Acho isso injusto. Ela percebeu, ela só não pôde corresponder...

Teria sido tudo tão perfeito se, sei lá, se a gente só esquecesse do mundo e fizesse o que a gente queria fazer, mas aí existem todas essas amarras, todas essas condições e a vida fica dependendo de um monte de decisões tomadas por estranhos. Não é justo. Puta que pariu, não é justo!

Agora eu me pego aqui, escrevendo alucinadamente. Será que é isso? Será que eu vou ter que me foder a vida toda pra conseguir atingir o nível de um Van Gogh? É sofrimento o combustível da arte? Porra, eu iria viver feliz pra sempre escrevendo cardápios de restaurante chinês se ela estivesse comigo. Sério mesmo, eu estou totalmente disposto a abrir mão do meu dom por ela...

Aí ela meio que me disse que "existem muitos peixes no mar", eu não abriria mão do meu dom por um "peixe", claro que não é literal, vocês entenderam...eu disse que não quero mais ninguém. Ela riu, me chamou de exagerado, mas sei lá, até certo ponto talvez fosse mesmo exagero, mas na real, eu acho que não quero mais ninguém. Acho que encontrei com o destino hoje, tal qual Dom Quixote com sua Dulcinéia, eu vou ser um escritor louco, solitário e sombrio, sem ninguém na minha vida, pq pra mim não interessa ninguém que não seja ela.

Então acho que a partir de hoje eu abraço, com todo o sofrimento inerente à minha arte, o meu dom da escrita. Por que se for pra ficar sem ela, que pelo menos eu fique rico e famoso...

Maldito gordo dramático...

Gordon "Troll" Banks
 
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