sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Natasha

Eyes of Hazel,
Hair of Coal,
Skin of Peach,
Heart of Gold.

There is no Woman Beatiful enough.
There is no Fairy Beatiful enough.
There is no Godess Beatiful enough.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Vírus

Parte 1: Planeta dos Macacos, mas não por muito tempo
Parte 2: De volta ao planeta que era dos Macacos
Parte 3: Esqueça os Macacos, as Baratas comandam!

Iori não conseguia tirar aquilo da cabeça, uma entrada USB. Era óbvio que aquele robô era tecnologia humana e ele queria passar mais tempo investigando, mas Click insistiu para que eles continuassem, o Diretor da Universidade de Rochia aguardava.

- O Diretor é bom. Não se preocupa.

Mas Iori estava preocupado, afinal ele tinha pensado pouco no assunto até agora, mas ele era o último de sua espécie, um humano que de acordo com Click era considerado um mito por muitos. O que fariam com ele? A lembrança do último panda vermelho lhe veio à cabeça, solitário no Zoo de Tóquio.

Eles haviam deixado o salão de exposição e seguiam agora por um corredor até portas duplas. As portas abriram automáticamente, Iori entendeu que era um elevador. Subiu junto com Click e Clark. Quando um dos botões no painel foi pressionado o elevador subiu com potência e Iori sentiu seus joelhos dobrarem tamanha era a força que tinha aquele elevador que carregava os Rochia o dia todo.

Chegando no andar desejado, que o garoto calculava que seria algo entre o 20º e o 30º, desceram os três e caminharam até uma porta enorme. A porta era feita de resina, mas não era translúcida como a maioria das outras.

- Chegamos. - Click disse.

Abriram a porta e entraram num grande escritório. Iori sentiu-se aconchegado por um momento, como se estivesse de volta à sua civilização. Tudo na sala remetia aos humanos. As lamparinas nas paredes eram de um estilo clássico que o garoto datou como sendo do século XIX ou algo assim, os móveis eram uma misturas entre peças clássicas de madeira e cadeiras mais modernas de alumínio. Nas paredes haviam quadros e mais quadros e embora Iori não soubesse o nome de nenhum deles, reconheceu várias das gravuras, era a arte de seu povo, não os japoneses, os humano. O toque final era um imenso tapete de urso no chão, como os que Iori via nos desenhos antigos que passavam na Tv.

- O Diretor gosta muito coisas humanas. - Click esclareceu.

- Acho que isso é o mais perto de casa que eu posso chegar. - Iori concluiu entristecido.

Uma imensa poltrona de couro atrás da mesa principal estava virada de costas para os convidados e girou gentilmente até revelar quem estava sentado nela. O diretor era uma baratinha pequenina, um pouco mais baixo que Iori, suas pernas e braços era finos e frágeis. O jovem notou que era a primeira vez que via um Rochia sem as pesadas roupas de couro que Click e Clark usavam o tempo todo. O corpo dos Rochia lembrava em muito uma barata, a barriga era segmentada e as costas uma carapaça brilhante, as pernas e braços tinham rebarbas afiadas próximo das extremidades e no caso do Diretor, nada de asas.

- Finalmente chegaram, que alegria, que alegria! - O Diretor disse num japonês claríssimo que surpreendeu Iori. - Venha meu amigo, sente-se, não tenha medo!

O jeito excitado do Diretor o fazia parecer um velhinho por alguma razão e Iori sem perceber sorriu quando foi convidado a sentar pela baratinha animada. Escolheu uma cadeira maciça de madeira.

- Agora menino, você vai me contar tudo, como você veio parar aqui?

- Eu não tenho certeza Sr. Diretor. Eu vivia num país chamado Japão, numa cidade chamada Akita, com meus pais. Eu era só um estudante normal. Mas comecei a ficar doente, vivia indo ao hospital e nenhum médico parecia saber o que eu tinha.

- Doente? - Click interrompeu. - O que é isso?

- Os humanos às vezes eram atacados por pequenas criaturas chamadas vírus, quando isso acontecia o seu corpo era danificado. Estou certo menino Iori? - O Diretor perguntou.

- Sim. Continuando, ninguém descobria o que eu tinha e os médicos já estavam perdendo as esperanças, eu só piorava a cada dia. Foi então que começou. Terremotos, inundações, vulcões, tufões. Parecia que o planeta estava entrando em colapso. Pesquisadores do mundo todo estavam enlouquecidos, aparentemente as calotas polares estavam derretendo num ritmo absurdo. Você sabe do que estou falando? No seu mapa não tem mais gelo nos polos.

- O fato de que os pólos foram desertos de gelo já foi comprovado pela nossa ciência. Prossiga.

- Bom, depois disso meus pais ficaram doentes também, o que eu tinha passou pra eles. Os médicos disseram que o vírus tinha sofrido mutação no meu corpo e tinha ficado mais forte, mais agressivo. Eu tinha poucos dias de vida, mas então meus pais tiveram a idéia de me congelar. Meu pai tinha um conhecido em Tóquio que trabalhava com isso. Eles me congelaram e eu não sei quanto tempo fiquei lá, mas acordei aqui, no seu mundo.

O Diretor manteve seus olhinhos negros de inseto em Iori por alguns segundos.

- Vá descansar menino Iori. Você está seguro sob meus cuidados.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Esqueça os Macacos, as Baratas comandam!

Começa aqui a Terceira parte da história que mostra como um garoto Japonês se tornou o último habitante humano da Terra. A primeira parte da história está aqui . A segunda parte aqui.
Eu sou autor do conto e dono da idéia original. Gordon Banks.


O imenso prédio negro se aproximava cada vez mais. Iori percebeu que a resina negra de que a construção era feita brilhava muito à luz do sol vermelho, mais do que qualquer outro prédio próximo. A Universidade de Rochia era mesmo impressionante.

- Rochia mais importante da nação trabalham aqui. - Click disse num tom orgulhoso quando o tanque finalmente parou em frente à universidade.

- Numa universidade?

Click não respondeu, mas estava claro que ele dizia a verdade. Iori era ainda jovem, completaria 15 anos em Fevereiro, mas o garoto era inteligente e não esperava os homens mais importantes da nação trabalhando numa universidade, e sim em algum prédio governamental. Mas talvez Click apenas tenha aumentado um pouco a importância do seu local de trabalho, e de todo jeito Iori achou que estava começando a dar importância demais pra isso, os Rochia eram uma cultura diferente da japonesa e de qualquer outra da Terra de sua época. Talvez os Rochia acreditassem que "conhecimento é poder", como se dizia antigamente.

Iori, Click e o líder dos arqueologos que encontraram o garoto na submersa Tóquio (Que se chamava Clac, Trrik, Tlec, Tlec e que Iori começava a chamar de "Clark") entraram na Universidade de Rochia pela porta da frente. Os degraus negros eram largos e altos, pois os Rochia tinham pés grandes e pernas compridas, eram gigantes de quase 4 metros de altura, mas Iori conseguiu vence-los com agilidade. As portas também eram feitas de resina plástica resistente, mas eram avermelhadas e semi-transparentes.

O hall de entrada era muito amplo e as paredes eram escuras, reparando bem percebia-se que a negrura do edifício era na verdade um tom de marrom muito concentrado, talvez por causa da grossura das paredes feitas da ambundante resina castanha que estava por toda parte na cidade. Escadas curvas estavam dos dois lados do salão e encontravam-se no alto onde havia um corredor escuro. No centro entre as escadas havia um grande chafariz e acima dele, pendurado por cabos de aço que vinham do teto, um imenso globo terrestre que girava lentamente expondo todas as partes do planeta ao público, uma de cada vez.

O jovem teve que abafar um grito de horror quando lentamente o globo girou e mostrou o que era agora o planeta Terra. Havia água por toda parte, em lugares onde não deveria haver. A Austrália era agora um tímido par de ilhas pequenas, do tamanho do Japão, que já não aparecia mais no mapa. O lado oeste da África era agora quase todo água e poucas ilhas separadas. A Grã-Bretanha, Portugal, Itália e Grécia também estavam cobertas de água, assim como a Europa Oriental e quase toda a costa Asiática. A América do Norte era agora apenas uma ilha comprida e solitária, o que sobrou das Montanhas Rochosas da Califórnia, parte do México e Canadá. Na América do Sul os Andes, a Floresta Amazônica e o Planalto Central pareciam ser tudo que tinha sobrado fora da água. Não havia sinal da América Central ou da Ocêania.

Groelândia e Antártica continuavam intactas, mas agora pareciam regiões povoadas, repletas do vermelho doentio que cobria todas as partes do globo, lembrando Iori da vegetação que vira nas planícies Siberianas. Uma única concentração de vegetação ainda verde era a Floresta Amazônica.

- É a floresta mais antiga do planeta. - Click disse pousando sua mão gigante no ombro do garoto que acordou de seu transe apocalíptico.

Eles subiram as escadas e entraram no corredor escuro que seguia por vários metros até um segundo saguão redondo com várias portas em todos os lados. Sobre cada porta havia uma inscrição que Iori não conseguia decifrar, mas secretamente ele desejava que Click o levasse até uma cozinha ou despensa, estava faminto.

Passaram por uma das muitas portas e seguiram pouco por um corredor que terminava num grande salão temático, logo na entrada estava uma faixa onde Iori pode ler em inglês: "Humans". Era um tipo de amostra sobre os humanos, com várias vitrines ao longo do salão, e em cada uma delas Iori via cortadores de grama pela metade, enferrujados e carcomidos, tapeçarias, vasos, um automóvel ano 2052, uma coleção de televisores e monitores de computador, vasos sanitários. Ao passar por uma das últimas vitrines, novamente Iori teve que segurar um grito.

Um pequeno quarto decorado com tapetes, vasos e o que o garoto podia jurar que era a Monalisa, tinha no centro uma longa mesa de madeira e deitado sobre ela um homem. Iori coçou os olhos, achou que estava vendo coisas, mas era mesmo um ser humano.

- É uma pessoa! Uma pessoa!

Click se aproximou.

- Nós também pensamos que fosse um homem quando o achamos, seis anos atrás. Mas é uma máquina, venha eu lhe mostro.

Os dois entraram por uma porta lateral no aposento onde repousava o homem sobre a mesa. Click se adiantou e virou o homem, expondo suas costas.

-Aqui, veja. - Click apontava com sua mão descomunal para a nuca do homem.

Iori se aproximou curioso, mas com cautela e olhou o que Click tentava mostrar.

- Isso...isso é uma entrada USB!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

De volta ao planeta que era dos Macacos

As primeiras semanas que o jovem Iori passou ao lado dos Rochia foram traumáticas e confusas. Ele foi retirado das ruínas do laboratório criogênico onde estava e foi levado até Grande Rochia, a maior cidade do mundo, localizada em algum lugar onde séculos atrás ficava a Sibéria. A área que antes era gelada e inóspita, era hoje uma imensa planície, de longe pela janela de um dos grandes veículos parecidos com tanques, Iori podia ver a imensa cidade cobrindo grande parte do horizonte.

O céu agora passava o dia todo avermelhado, os gases da atmosfera eram outros e o sol já envelhecera alguns milares de anos. Um cinturão de rochas brancas cercava a Terra e fazia sombra por volta das duas da tarde, eram grandes pedaços da lua que orbitavam se chocando uns com os outros. A metade da lua que ainda estava inteira tinha se aproximado um pouco do planeta, o que elevou o nível dos mares no mundo todo.

Os animais eram outros, o garoto não reconheceu nenhum deles ou quem poderiam ser seus antepassados. A flora ainda tinhas as mesmas formas, mas a cor predominante não era mais o verde e sim o vermelho, o que dava uma aparência muito mais apocalíptica ao cenário. Iori apenas observava pasmo aquela paisagem alienígena.

- Muito tempo você não via o mundo. - O gigante de branco disse com seu carregadíssimo sotaque no japonês mais claro que conseguia pronunciar com sua boca insetóide. Iori descobrira que seu nome era "Click, Click, Clac, Truk" na língua nativa dos Rochia que consistia de vários estalos e ruídos secos produzidos com suas tenazes e bocas multifacetadas, obviamente sem tradução para o japonês. O menino estava se acostumando a chama-lo de "Click" apenas.

- Meu mundo não era assim. Tudo está diferente. O céu era azul, as folhas eram verdes, a lua estava inteira, havia gelo no topo das montanhas. O que foi que deu errado? O que foi que os humanos fizeram?

- Ninguém sabe. Rochia povo mais antigo da Terra e mesmo nós não lembra. Céu sempre vermelho pra Rochia, plantas sempre vermelha, lua sempre quebrada.

Iori se sentia angustiado, atordoado. Estava só naquele mundo bizarro, uma caricatura de mau gosto do que um dia foi a Terra de seus antepassados. Seus pais estavam mortos, seus amigos. Quantos anos haviam passado? Quantos milhares de anos?

O laboratório onde estava ficava em Tóquio, mas hoje era apenas uma ruína submarina. Sabe-se lá como a água não entrou e os geradores atômicos sustentaram seu suporte de vida na câmara criogênica até que os Rochia o achassem finalmente. Tudo que lhe restavam eram dúvidas. E um futuro incerto pela frente.

Os veículos-tanque finalmente alcançaram a grande cidade e adentraram por uma estrada muito larga e plana. As casas não chegavam a ser tão diferentes do que uma casa deveria parecer, eram grande iglus de materiais variados, a maioria deles parecia ser feito de uma resina plástica amarronzada que dava aparência de ser muito resistente. Comicamente as casas lembravam as grandes baratas redondas que eram seus moradores.

Ainda haviam ruas e semáforos, por incível que fosse. Placas identificavam cada travessa com letras confusas que lembravam muito vagamente o japonês que Iori conhecia. Enquanto observava os detalhes da cidade, o veículo em que estava seguia rapidamente por ruas vazias até uma grande construção negra que se aproximava cada vez mais.

- Que lugar é aquele Click?

- A universidade de Rochia.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Espasmo CAOS/ORDEM do megaverso

Era um buraco lamacento no meio de lugar nenhum, literalmente.

Ficava no espaço entre universos, cercado de coisa alguma a não ser uma profunda e depressiva escuridão.

Ainda assim tinha forma, era um buraco.

Ainda assim tinha qualidades, era lamacento.

Na verdade, descoberta sua real função, qualquer criatura acharia aquele buraco lamacento a coisa mais bela da criação, não fosse a escuridão que impedia que qualquer um o visse. E não fosse também ele estar no meio de lugar nenhum, onde ninguém jamais estará.

O silêncio lá obviamente é enlouquecedor. Se no espaço não há som, imagine o espaço cósmico, a malha que liga os milhares de infinitos universos.

Mas de vez em quando algo acontece, e tudo muda.

Do buraco lamacento explode um jorro poderoso de luz branco-azulada e acompanhando a luz um som incrível de fogos de artifício e depois de trombetas e explosões. A luz e tão cegante e poderosa que mesmo que alguém estivesse presente, provavelmente seria incinerado instantâneamente. E mesmo que não fosse, sua cabeça explodiria devido ao som alto do caos ao redor da luz.

Num instante tudo sai daquele buraco, TUDO. E o caos não tenta tomar forma alguma, simplesmente dispara de lá em todas as direções por um tempo indeterminado, talvez tão longo quanto o tempo em que o buraco esteve em silêncio, ou tão curto quanto um suspiro.

E em todas as partes do multiverso, em todos os mundos dos universos, em todos os planetas das galáxias, em todos os cantos dos planetas, as idéias nascem.

É daquele buraco lamacento no meio de lugar nenhum que saem todas as idéias. É a fonte infinita que permanece infinitamente em silêncio e infinitamente ativa ao mesmo tempo num paradoxo sem sentido que continua impulsionando todas as nossas mentes.

Da pior à melhor das idéias, todas saíram de lá em algum momento entre o silêncio sagrado e a explosão caótica que continuam pulsando ao mesmo tempo num lugar no qual ninguém nunca vai chegar.

Eu tenho uma idéia de onde fica, mas não posso levar ninguém lá, as pessoas tem que ir por si mesmas, e ainda assim ninguém nunca vai chegar lá.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Aconchegado confortavelmente sobre uma armadilha pra ursos

Reparei hoje que minha cama se encontra em tal posição que fará com que eu coloque meu pé esquerdo no chão primeiro sempre que levantar pela manhã. A não ser que eu acorde, me localize e coloque conscientemente meu pé direito primeiro, vou sempre acordar com o pé esquerdo. Deve ser por isso que penso tão pouco da minha vida.

Na série de corredores confusos e labirínticos que é a vida, existe sempre um fio de nilon na próxima esquina, pronto pra disparar uma armadilha qualquer. Raiva, Tristeza, Amor.

Esbarrei num fio de Raiva hoje, perdi a cabeça com alguém que não merecia, por um motivo fútil, mas ainda assim tive motivo. Acabei entrando no túnel errado e meu dia todo foi desperdiçado. Quando é que vão inventar um botão de "Rewind" na vida?

Esbarro em pequenos fios de Tristeza aqui e ali, sou meio sensível com sofrimento alheio e as pessoas à minha volta têm sofrido muito. E ela, sempre ela, a morte, está por atrás de tudo isso. Quando é que vão deixar de temer a morte e aceitá-la?

Topei num fio de Amor. É. Era das grandes. A Armadilha, digo. Tão grande que ainda estou preso sabem? Entrei num corredor nostálgico no qual me lembrei de muita coisa boa que eu tinha esquecido. Quando é que vão voltar a pregar o amor?

Esses sentimentos me fazem sentir engraçado. Tanto coisa, tanta turbulência, no final das contas, por nada. Por razão alguma. Por uns míseros 60 anos na merda que o ser humano se acostumou a chamar de vida. Quando é que vão se tocar?

As coisas vão acontecendo num ritmo e você acha que tudo está parado demais, aí tudo começa a fluir e lá no fundo você sente um frio na barriga e pensa que mesmo que tudo esteja indo na direção que você quer, talvez fosse melhor diminuir só um pouco a velocidade. E independente disso tudo, a vida vai seguindo e nós vamos tropeçando nas armadilhas que ela trama. Quando é que eu vou trocar a minha cama de lugar?

sábado, 17 de maio de 2008

Humano VS Inumano

Eu era feliz no começo, mas claro que não tinha conhecimento disso.

Aí eu aprendi a ler e a pensar por mim mesmo.

Depois eu esqueci como pensar por mim mesmo e continuei só lendo.

E todos aqueles caras monstruosos estupravam minha mente virgem com suas idéias insanas e cruéis.

Então eu passei a pensar insana e cruelmente também. Sem me dar conta que eu pregava agora os ideais de outros homens.

Esqueci como era sentir. Aboli minhas emoções e solidifiquei meu espírito que agora tinha aparência de ferro, frio e duro.

Questionei minha humanidade bem mais de uma vez.

E na confusão de ser máquina e ser monstro, senti medo e decidi que queria ser humano de novo, e voltar a sentir. Queria ver novela e jogar bola, ir pro samba e não dar a mínima pra política ou economia. Queria ser comum e me importar com minha aparência e dizer que ler era coisa de nerd.

Mas já era tarde demais. Eu SOU máquina, eu SOU monstro.

A iluminação que eu tanto busquei, era na verdade uma grande gaiola dourada. Brilhante, limpa, mas ainda assim uma prisão.

Agora eu não sinto mais nada. O beijo, o abraço, a transa. É tudo nulo pra mim.

É como viver num filme preto e branco.

De vez em quando, surge algo lá no fundo do peito e eu tenho vontade de gritar. Gritar qualquer coisa, qualquer nome, qualquer maldição. Acho que é desespero.

Acho que é a criança que um dia foi feliz e que se desespera quando percebe que está presa dentro de mim, da máquina, do monstro.

Ela tenta gritar, mas eu não sinto nada mesmo assim. Eu lhe dou um bofetão e mando calar a boca.

Vou ter que continuar fingindo. Não tem mais volta. A parte triste é que eu gostava de ser só, quando eu podia me dar o luxo de ser só porque queria. Agora que eu TENHO que ser só, pra não deixar ninguém olhar debaixo da armadura, é bem mais insano e cruel.

Acho que eu finalmente sei do que aqueles caras estavam falando.
 
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