"Pra morrer, basta estar vivo", não sei quem foi o autor desta pérola, mas concordo plenamente com ele. Morte é um assunto pesado, sempre foi tabu, na maioria das culturas pelo menos. Eu trabalho num hospital, já tive minha cota de encarar a morte. Mas bom, na verdade eu gostaria de falar dum tipo diferente de morte, a morte espiritual.
Você já sentiu como se quisesse que o mundo explodisse numa bola de fogo, só pra tudo acabar logo, essa merda toda? Bom amigo, toda vez que você pensa nisso, uma fadinha morre...e você também morre um pouquinho. Não que eu esteja lhe puxando a orelha, longe de mim, mas o que mata o espírito é o cinismo, a desesperança, a covardia...será que não dá pra encarar tudo numa perspectiva mais "positiva"?
Aí você dispara algo do tipo "Mas o mundo tá uma merda, todo lugar tem guerra, todo lugar tem gente morrendo!"...é....difícil discutir com esse argumento...mas sabe de uma coisa? Por mais ingênuo que pareça, eu vou continuar acreditando na humanidade...por mais fodida que ela esteja, eu vou continuar acreditando que os pescadores NÃO matam mais os golfinhos presos nas redes e misturam com o atum que a gente compra em latinhas...que os grandes países poluidores vão tentar ABAIXAR os níveis de gases tóxicos que emitem...que o NAZISMO foi só um sonho ruim...que um dia eu VOU ganhar na loteria...porque, idependente dessas coisas serem ou não grandes verdades, ou grandes MENTIRAS...uma vida de crença e positivismo ainda é preferível do que uma vida de descrença e negativismo...
Por que? Ora amigo, pense nas fadinhas...
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
A grande piada cósmica
Vida. A grande piada cósmica. Não é piada? Sério? Nossa, acho que entendi tudo errado então. Os programas dominicais, as revistas pornográficas, os cadarços, os sapatos, as corridas de cachorros, as olimpíadas, prada, gucci, direita, esquerda, comunismo, consumismo, axé, emo, metaleiro, SÉRIO? Caramba, fiquei meio chocado...estava me encarando no espelho outro dia, observava meu corpo se enchendo de ar e depois esvaziando, no movimento involuntário da respiração, quando parei pra pensar, morri de rir. Pensa bem, bonecos de carne brigando no trânsito, transando no motel, multilando no beco, dançando no clube...multilando no motel, dançando no beco, transando no trânsito, brigando no clube e por aí vai....dava um puta show de humor. Pena os shows de humor serem usados na maioria pra zuar as minorias, salvo um ou outro...
Eu vejo as pessoas levando a vida a sério, e não ganhando nada com isso...me deixa frustrado...é horrível saber que você não está indo pra lugar algum, mas se você se comportar de maneira diferente do resto do gado, os fazendeiros te abatem PRIMEIRO. Não me assusta a idéia de virar um hamburguer, claro que não, me assusta é virar um hamburguer pra ser devorado no Cm' Donalds por uma patricinha fútil que acha que ler é pra NERD, ou por um MANO que usa um boné por cima da toca ou vice-versa e se acha o tal porquê roubou 3 reais e uma pêra de uma velhinha no fim da feira uma vez.
Valores distorcidos, objetivos nulos, mesmo que fosse de TREMENDO mal gosto, não seria melhor se a vida fosse mesmo só uma PIADA?
Eu vejo as pessoas levando a vida a sério, e não ganhando nada com isso...me deixa frustrado...é horrível saber que você não está indo pra lugar algum, mas se você se comportar de maneira diferente do resto do gado, os fazendeiros te abatem PRIMEIRO. Não me assusta a idéia de virar um hamburguer, claro que não, me assusta é virar um hamburguer pra ser devorado no Cm' Donalds por uma patricinha fútil que acha que ler é pra NERD, ou por um MANO que usa um boné por cima da toca ou vice-versa e se acha o tal porquê roubou 3 reais e uma pêra de uma velhinha no fim da feira uma vez.
Valores distorcidos, objetivos nulos, mesmo que fosse de TREMENDO mal gosto, não seria melhor se a vida fosse mesmo só uma PIADA?
domingo, 15 de julho de 2007
Nuvem de Gafanhotos
Ando muito de trem, quase todo dia. Gosto de andar de trem, é uma viagem tranquila, silenciosa, dá pra pensar um bocado. Você vê toda aquela gente indo, vindo, ocupada, desocupada, estressada, relaxada. Depois de um tempo pegando o trem todo dia no mesmo horário, inevitavelmente você começa a se familiarizar com um personagem ou dois, eu deixo o processo mais fácil dando apelidos aos meus personagens. Vou falar de um deles em particular na verdade, a Super Mãe.
A Super Mãe é uma mãe solteira que pega o trem com um filho pequeno toda manhã. Como eu sei que ela é solteira? Eu SEMPRE olho pras mãos de mulheres bonitas, é uma mania. Ela é loira, tem olhos verdes, deve ser de fabricação americana, tem um corpo de deusa grega, um olhar confiante, se veste com um terninho discreto e uma calça agarrada nos lugares certo, parece algum tipo de "mulher de negócios", mas sempre com seu molequinho com cara de passarinho a tiracolo. Ela sobre no trem e se senta quase sempre no mesmo lugar, mas dessa vez o lugar estava ocupado, o único lugar disponível era na minha frente, nos bancos invertidos. Ela senta toda aquela bunda macia com uma elegância que me faz desviar o olhar do que quer que eu estivesse lendo, ela percebe meu olhar e sorri simpática humilde o bastante pra prosseguir com um discreto "Bom dia". Eu respondo a altura e volto pro meu livro, espiando de vez em quando as pernas dela. Passa-se um tempo e eu percebo que ela está encarando com uma intensidade fora do normal. Faço com que ela perceba meu desconforto, mas ela aparentemente não se importa e continua encarando. Algumas estações depois, eu já estou ficando de saco cheio, é um daqueles dias em que eu consigo falar com estranhos, aproveito minha vantagem e pergunto "Pois não?" num tom meio irritado e desafiador. Ela se surpreende e olha nos meus olhos (ela fitava outra parte o tempo todo) "Tem um gafanhoto na sua cabeça." ela diz engasgada.
PUTA QUE PARIU TEM UM GAFANHOTO NA MINHA CABEÇA!!! Era o que eu normalmente teria dito antes de sair gritando e pulando pelo trem, mas foi uma situação que me pegou tão de surpresa, que tudo que eu consegui dizer foi "É, e daí?".
Ela levantou e arrastou o molequinho com cara de passarinho pra longe de mim, sentaram-se num banco do outro lado do vagão, eu voltei pro meu livro, suava frio imaginando se tinha mesmo um gafanhoto no meu boné, afinal de contas nas últimas semanas, por alguma razão uma "infestação" de gafanhotos tinha se abatido sobre Santo André. Uma nuvem bíblica de gafanhotos, devorando nossas colheitas, enquanto a água virava sangue, chovia fogo dos céus e nossos primogênitos eram mortos por forças sobrenaturais. Não, não, história errada, lugar errado, livro errado.
A Super Mãe é uma mãe solteira que pega o trem com um filho pequeno toda manhã. Como eu sei que ela é solteira? Eu SEMPRE olho pras mãos de mulheres bonitas, é uma mania. Ela é loira, tem olhos verdes, deve ser de fabricação americana, tem um corpo de deusa grega, um olhar confiante, se veste com um terninho discreto e uma calça agarrada nos lugares certo, parece algum tipo de "mulher de negócios", mas sempre com seu molequinho com cara de passarinho a tiracolo. Ela sobre no trem e se senta quase sempre no mesmo lugar, mas dessa vez o lugar estava ocupado, o único lugar disponível era na minha frente, nos bancos invertidos. Ela senta toda aquela bunda macia com uma elegância que me faz desviar o olhar do que quer que eu estivesse lendo, ela percebe meu olhar e sorri simpática humilde o bastante pra prosseguir com um discreto "Bom dia". Eu respondo a altura e volto pro meu livro, espiando de vez em quando as pernas dela. Passa-se um tempo e eu percebo que ela está encarando com uma intensidade fora do normal. Faço com que ela perceba meu desconforto, mas ela aparentemente não se importa e continua encarando. Algumas estações depois, eu já estou ficando de saco cheio, é um daqueles dias em que eu consigo falar com estranhos, aproveito minha vantagem e pergunto "Pois não?" num tom meio irritado e desafiador. Ela se surpreende e olha nos meus olhos (ela fitava outra parte o tempo todo) "Tem um gafanhoto na sua cabeça." ela diz engasgada.
PUTA QUE PARIU TEM UM GAFANHOTO NA MINHA CABEÇA!!! Era o que eu normalmente teria dito antes de sair gritando e pulando pelo trem, mas foi uma situação que me pegou tão de surpresa, que tudo que eu consegui dizer foi "É, e daí?".
Ela levantou e arrastou o molequinho com cara de passarinho pra longe de mim, sentaram-se num banco do outro lado do vagão, eu voltei pro meu livro, suava frio imaginando se tinha mesmo um gafanhoto no meu boné, afinal de contas nas últimas semanas, por alguma razão uma "infestação" de gafanhotos tinha se abatido sobre Santo André. Uma nuvem bíblica de gafanhotos, devorando nossas colheitas, enquanto a água virava sangue, chovia fogo dos céus e nossos primogênitos eram mortos por forças sobrenaturais. Não, não, história errada, lugar errado, livro errado.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Guerras Secretas
Tem um cara que eu conheço que eu odeio. Ele nunca me fez nada, na verdade a gente mal se fala, é um sujeito até simpático e brincalhão, o pessoal adora ele. Mas eu odeio. E ele provavelmente não faz a menor idéia disso. Melhor assim.
Aí eu fico pensando nesse meu "ódio platônico" pelo sujeito e sinto uma certa pena dele. Aí ele se aproxima de mim e sorri, diz alguma frase inteligente e bem colocada, e eu volto a odiá-lo.
Será inveja de algo que eu ACHO que ele tem? Talvez, mas descobrir o motivo do ódio não iria fazê-lo sumir. Então eu continuo odiando-o, e tento não me sentir mal sobre isso, afinal se tudo continuar como está, ele NUNCA vai descobrir o quanto eu o odeio. É uma GUERRA SECRETA que eu travo contra ele, e contra mim mesmo.
Será que os grandes líderes mundiais também sentem isso por determinado presidente ou primeiro-ministro? Será que é por isso que as bombas não param de explodir? Será que é por isso que as criancinhas africanas passam fome? Provavelmente.
Os homens com poder o bastante tornam suas guerras pessoais em guerras públicas, guerras mundiais. Enquanto a mim, eu continuo odiando o cara, e me sentindo levemente incomodando com essa falha no meu caráter, mas não incomodado o bastante pra deixar de odiar. É uma guerras secreta, e secretamente eu estou ganhando. Ou NÃO estou?
Aí eu fico pensando nesse meu "ódio platônico" pelo sujeito e sinto uma certa pena dele. Aí ele se aproxima de mim e sorri, diz alguma frase inteligente e bem colocada, e eu volto a odiá-lo.
Será inveja de algo que eu ACHO que ele tem? Talvez, mas descobrir o motivo do ódio não iria fazê-lo sumir. Então eu continuo odiando-o, e tento não me sentir mal sobre isso, afinal se tudo continuar como está, ele NUNCA vai descobrir o quanto eu o odeio. É uma GUERRA SECRETA que eu travo contra ele, e contra mim mesmo.
Será que os grandes líderes mundiais também sentem isso por determinado presidente ou primeiro-ministro? Será que é por isso que as bombas não param de explodir? Será que é por isso que as criancinhas africanas passam fome? Provavelmente.
Os homens com poder o bastante tornam suas guerras pessoais em guerras públicas, guerras mundiais. Enquanto a mim, eu continuo odiando o cara, e me sentindo levemente incomodando com essa falha no meu caráter, mas não incomodado o bastante pra deixar de odiar. É uma guerras secreta, e secretamente eu estou ganhando. Ou NÃO estou?
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