O garoto acordou assustado, olhou ao redor procurando quem quer que fosse, mas não achou ninguém. O laboratório era imenso e as sombras se acumulavam nos cantos mais distandes, prendendo-o num cubo mal-iluminado cercado de grossas paredes sombrias. A câmara criogênica estava desligada e a cúpula de vidro que a selava estava erguida, o jovem não teve dúvidas, pulou para fora.
Estava nu, seus pés descalços pisavam num frio chão de metal, mas a sensibilidade ainda lutava para voltar às extremidades o que o poupava do frio que fazia ali.
Ele caminhou pela escuridão adentro sem medo, tateava pelas paredes com dificuldade e entrava em corredores e portas sem saber ao certo pra onde estava indo, estava muito confuso. Ouviu passos ao longe, seguiu na direção do som.
No final de um longo corredor ficava um salão enorme e iluminado, nele cerca de 10 homens imensos, com roupas pesadas de couro negro e capacetes de vidro negro andavam de um lado pro outro aparentemente impressionados com tudo que viam nas paredes, quadros, tapeçarias, cada vaso era uma relíquia e eles não pisavam nos tapetes com medo de que desmanchassem sob o peso de seus pés enormes. Para o menino passou despercebido o fato de que cada um daqueles homens carregava um fuzil e que todos eles tinham 4 braços.
Ele saiu do corredor caminhando lentamente, estava ainda muito fraco. Alguns dos homens se voltaram para ele e logo começou uma gritaria confusa numa língua que o menino jamais ouvira. Alguns dos homens apontavam os fuzis pra ele, enquanto outros tentavam impedi-los de atirar e outros dois ao fundo gritavam na direção de uma outra sala, de onde veio um outro gigante, esse vestia-se da mesma maneira, mas sua vestimenta era completamente vermelha, parecia ser o líder.
O gigante escarlate se aproximou e ajoelhou-se muito próximo ao menino, começou a falar muito devagar naquela língua estranha, como se o menino pudesse por mágica aprender aquele idioma caso pronunciado muito lentamente, mas isso não ajudou obviamente.
- Não entendo. - O menino disse no mais claro japonês que conseguiu.
Uma comoção entre os homens demonstrou que eles procuravam outro membro da equipe, logo entrou pela porta um novo gigante, esse vestia uma roupa branca, lembrou ao garoto um gordo boneco de neve.
- Japonês? Japonês fala você? - O homem de branco perguntou com um sotaque carregadíssimo.
- Sim. - Respondeu o menino confuso. - Quem são vocês?
- Nós equipe de arqueologia de Rochia.
- Rochia?
- Rochia grande cidade. Nós de Rochia. Você de onde?
- Eu nasci em Kyoto, mas fui criado em Akita. - A resposta veio tão facilmente ao menino que ele mal se deu conta de que de repente já se lembrava de quem era e de quase todo o resto. - Me chamo Iori.
O gigante de branco ia traduzindo tudo para o gigante de vermelho que apenas balançava a cabeça e fazia curtos comentários.
- Nós Rochia. Nós aqui pesquisando e encontrar você. Você muito raro!
- Eu sou muito raro? Não entendo.
- Humano muito raro, humano não mais.
Iori ficou em silêncio por um minuto, pensava no que estava ouvindo e mais memórias pareciam voltar de súbito a sua cabeça. O calor, as geleiras derretendo, os tornados, os terremotos, as enchentes, as pessoas morrendo, ele sendo congelado pelos pais para ser salvo no futuro.
- Não existem mais humanos? - Ele perguntou incrédulo.
- Humano não mais há muito tempo, humano lenda, muito Rochia não acredita em humano.
- Mas então...o que vocês são?
- Nós Rochia.
- Vocês vivem em Rochia e são Rochia?
- Sim, veja.
Ao mesmo tempo, todos os homens retiraram seus capacetes, o garoto abafou um grito de horror quando viu seus rostos. Cabeças insetóides de olhos redondos e negros, bocas multifacetadas e deslocáveis com tenazes dos lados, longas antenas na parte superior, eram imensas baratas humanas.
"Rochia...roach...barata em inglês.", Iori pensou..."Os humanos finalmente conseguiram, extinguiram a espécie mais perigosa do planeta, eles mesmos."
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Caverna Interior
Caminhei pela noite adentro, sozinho. Encontrei companheiros no meio do caminho.
Caminhamos pela noite adentro, sozinhos. Encontramos resistência.
Resistimos noite a dentro, sozinhos. Encontramos liberdade.
Corremos livres pela noite, sozinhos. Encontramos uma garota gordinha de 15 anos e olhos verde-folha.
- Você pode sair e conquistar o mundo, mas seus amigos ficam. - Ela disse com uma risadinha típica de garotas de 15 anos.
- Eu vou. - Respondo.
Saio da noite e finalmente enxergo a luz do sol depois de longos anos, minha pele pálida agradece quando recebe novamente os revigorantes raios de sol. Caminho por uma floresta e encontro uma imensa caverna, estou só.
Da entrada da caverna sai uma corrente grossa e enferrujada, curioso eu a seguro e puxo, seja lá o que estiver na outra ponta, vem deixando a caverna sem resistência.
Então eu finalmente vejo, preso pelo pescoço, um gigante. Mas o gigante sou eu.
O "euzão" está vestido de centurião romano, com um elmo dourado, um escudo no braço esquerdo, uma lança na mão direita e uma espada na cintura. Ele parece manso, mas poderoso.
Não tenho dúvidas quanto ao que fazer, quebro a corrente e liberto o gigante.
Somos um e vamos conquistar o mundo, sozinhos. Ou sozinho.
Caminhamos pela noite adentro, sozinhos. Encontramos resistência.
Resistimos noite a dentro, sozinhos. Encontramos liberdade.
Corremos livres pela noite, sozinhos. Encontramos uma garota gordinha de 15 anos e olhos verde-folha.
- Você pode sair e conquistar o mundo, mas seus amigos ficam. - Ela disse com uma risadinha típica de garotas de 15 anos.
- Eu vou. - Respondo.
Saio da noite e finalmente enxergo a luz do sol depois de longos anos, minha pele pálida agradece quando recebe novamente os revigorantes raios de sol. Caminho por uma floresta e encontro uma imensa caverna, estou só.
Da entrada da caverna sai uma corrente grossa e enferrujada, curioso eu a seguro e puxo, seja lá o que estiver na outra ponta, vem deixando a caverna sem resistência.
Então eu finalmente vejo, preso pelo pescoço, um gigante. Mas o gigante sou eu.
O "euzão" está vestido de centurião romano, com um elmo dourado, um escudo no braço esquerdo, uma lança na mão direita e uma espada na cintura. Ele parece manso, mas poderoso.
Não tenho dúvidas quanto ao que fazer, quebro a corrente e liberto o gigante.
Somos um e vamos conquistar o mundo, sozinhos. Ou sozinho.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Modern Caveman
A caçada havia começado 5 dias antes, no coração mais profundo daquelas selvas úmidas. Os 4 homens seguiram sua presa incansáveis até uma vasta planície pedregosa. Thog, Gog, Brak e Taruk eram seus nomes, grandes guerreiros de sua tribo, o guerreiro mais forte, o corredor mais rápido, o pensador mais sábio e o rastreador mais implacável respectivamente.
Taruk e Brak investigavam cuidadosamente os rastros frescos de sua presa numa pequena poça de lama.
- Passou por aqui há 2 dias, a lama está quase seca. - Taruk estava de pé segurando uma longa lança na mão esquerda, era o mais alto dos quatro e vestia pouco, apenas uma tanga de peles padrão da época, uma gravata púrpura e um rolex de ouro no pulso direito, estava quebrado e não marcava as horas.
- Temos de apertar o passo Taruk. - Brak deixou a poça de lama após examina-la. - Ou vamos perdê-la. - Os olhos de Brak eram verde-vivo, o direito coberto por um monóculo. Ele alisou o cabo de sua faca na cintura com uma mão e com a outra tirou sua cartola preta e coçou a cabeça.
- Vocês dois, vamos indo! - Taruk gritou os outros dois companheiros.
Thog e Gog reuniram-se aos dois rapidamente. Thog era um homenzarrão imenso e de olhos pequeninos e estúpidos, não vestia nada além de um terno cinza muito surrado e carregava uma clava de madeira enorme, que um dia deveria ter sido toda uma árvore. Gog era o oposto, muito pequenino e magro, poderia ser tomado por uma criança, carregava um machado de pedra e vestia um par de tênis de corrida e um capacete de piloto com os óculos protetores abaixados o tempo todo.
Os 4 homens-das-cavernas seguiram uma trilha demarcada na planície, agora com um passo muito acelerado, quase corriam. Gog era visivelmente o mais rápido e parava muitas vezes para esperar o restante dos companheiros, era seguido por Taruk e Brak, Thog fechando a fila muitos metros de distância atrás.
A noite caiu e Taruk e Brak comemoravam ter ganho uma boa distância naquele dia, a besta deveria ser encontrada na manhã seguinte quase com certeza. Sentaram-se no chão e sentiam fome e frio, Brak acendeu uma fogueira já que era o único a conhecer os segredos do fogo. Os 4 amontoaram-se ao redor da fogueira segurando os joelhos e tentando se aquecer um pouco.
Um barulho na mata.
- Sonhadores. - Gog segurou o cabo do machado com força e levantou-se.
- Droga. - Thog acompanhou o amigo e levantou-se com sua imensa clava bem firme sobre os ombros.
- O GPS do Grande Chefe tinha mesmo mostrado uma concentração de sonhadores nessa área, eu esperava passar por aqui desapercebido. - Brak disse amargo.
Taruk imitou os companheiros e levantou-se, pronto para qualquer coisa com sua lança em punho. O ar parecia pesado e uma tensão empesteava a pequena clareira ao redor da fogueira. Minutos depois, nada tinha acontecido e eles relaxaram um pouco, uma hora depois sentara-mse ao redor da fogueira novamente, ainda atentos aos sons da floresta, mas nada aconteceu, de qualquer forma, nenhum deles dormiu aquela noite.
Na manhã seguinte partiram cedo e logo estavam no rastro da presa, era um animal grande pelo que parecia e deixava rastros por todos os lados, grandes fitas de papel crepom colorido.
Gog era o batedor e corria na frente pra verificar um penhasco a frente, os outros três descansavam sentados em pedras.
- Às vezes me pergunto o que estamos fazendo. - Taruk disse para ninguém em particular. - Qual o sentido em tudo isso?
- A tribo precisa de nós Taruk, e isso é tudo. - Brak concluiu.
- Está lá. - Gog tinha chegado sem ninguém percebê-lo, tinha um sorriso no rosto. - A Besta Arco-Íris está lá embaixo na planície.
Todos correram para a ponta do penhasco e assim que chegaram puderam vê-la. Era um animal enorme, uma anta com o tamanho de dois elefantes. Movia-se lentamente e tranquila, seu corpo era multi-colorido e parecia feito de muitos pedaços de papel crepom colados uns aos outros. Ela não parecia ter percebido os caçadores.
- Vamos caçar. - Taruk convidou.
Os 4 desceram pela encosta do penhasco com facilidade e seguiram abaixado e contra o vento até posicionarem-se logo atrás da besta. Thog foi o primeiro a atacar, sua clava monstruosa atingiu o flanco do animal com uma força descomunal e a parte traseira da fera tombou. Os outros correram pelos lados da fera, Brak e Gog desferindo vários golpes com suas lâminas e Taruk foi na direção da cabeça e com sua lança furou os olhos da criatura que urrava de dor e pânico. A fera ainda tentou reagir e acertou uma pescoçada em Brak que caiu estirado no chão, sua cartola e seu monóculo jogados longe, mas ele logo se recuperou. A Besta Arco-Íris estava acabada.
Taruk tirou um grande pedaço de tecido branco de uma maleta nas suas costas e entregou-a a Thog. O gigante vendou os olhos com o pano e alcançou seu tacape no chão. A essa altura, os outros 3 riam e começaram a rodar Thog que perdeu completamente o senso de direção, mas a fera ainda gemia baixinho e guiou seus ouvidos. Um único golpe de Thog foi o bastante.
A cebeça da fera voou longe, expondo o interior de seu corpo, um amontoado de pequenos pedaços de papel verde, notas de 20 e 50. Os 4 guerreiros destruíram complatamente a carcaça da besta e encheram suas valises com a recompena de sua caçada, teriam muito para levar de volta pra tribo.
- Eu nem acredito, matamos Piñata, a Besta Arco-Íris. - Um deles disse.
Por Gordon Banks (04/02/2008)
Taruk e Brak investigavam cuidadosamente os rastros frescos de sua presa numa pequena poça de lama.
- Passou por aqui há 2 dias, a lama está quase seca. - Taruk estava de pé segurando uma longa lança na mão esquerda, era o mais alto dos quatro e vestia pouco, apenas uma tanga de peles padrão da época, uma gravata púrpura e um rolex de ouro no pulso direito, estava quebrado e não marcava as horas.
- Temos de apertar o passo Taruk. - Brak deixou a poça de lama após examina-la. - Ou vamos perdê-la. - Os olhos de Brak eram verde-vivo, o direito coberto por um monóculo. Ele alisou o cabo de sua faca na cintura com uma mão e com a outra tirou sua cartola preta e coçou a cabeça.
- Vocês dois, vamos indo! - Taruk gritou os outros dois companheiros.
Thog e Gog reuniram-se aos dois rapidamente. Thog era um homenzarrão imenso e de olhos pequeninos e estúpidos, não vestia nada além de um terno cinza muito surrado e carregava uma clava de madeira enorme, que um dia deveria ter sido toda uma árvore. Gog era o oposto, muito pequenino e magro, poderia ser tomado por uma criança, carregava um machado de pedra e vestia um par de tênis de corrida e um capacete de piloto com os óculos protetores abaixados o tempo todo.
Os 4 homens-das-cavernas seguiram uma trilha demarcada na planície, agora com um passo muito acelerado, quase corriam. Gog era visivelmente o mais rápido e parava muitas vezes para esperar o restante dos companheiros, era seguido por Taruk e Brak, Thog fechando a fila muitos metros de distância atrás.
A noite caiu e Taruk e Brak comemoravam ter ganho uma boa distância naquele dia, a besta deveria ser encontrada na manhã seguinte quase com certeza. Sentaram-se no chão e sentiam fome e frio, Brak acendeu uma fogueira já que era o único a conhecer os segredos do fogo. Os 4 amontoaram-se ao redor da fogueira segurando os joelhos e tentando se aquecer um pouco.
Um barulho na mata.
- Sonhadores. - Gog segurou o cabo do machado com força e levantou-se.
- Droga. - Thog acompanhou o amigo e levantou-se com sua imensa clava bem firme sobre os ombros.
- O GPS do Grande Chefe tinha mesmo mostrado uma concentração de sonhadores nessa área, eu esperava passar por aqui desapercebido. - Brak disse amargo.
Taruk imitou os companheiros e levantou-se, pronto para qualquer coisa com sua lança em punho. O ar parecia pesado e uma tensão empesteava a pequena clareira ao redor da fogueira. Minutos depois, nada tinha acontecido e eles relaxaram um pouco, uma hora depois sentara-mse ao redor da fogueira novamente, ainda atentos aos sons da floresta, mas nada aconteceu, de qualquer forma, nenhum deles dormiu aquela noite.
Na manhã seguinte partiram cedo e logo estavam no rastro da presa, era um animal grande pelo que parecia e deixava rastros por todos os lados, grandes fitas de papel crepom colorido.
Gog era o batedor e corria na frente pra verificar um penhasco a frente, os outros três descansavam sentados em pedras.
- Às vezes me pergunto o que estamos fazendo. - Taruk disse para ninguém em particular. - Qual o sentido em tudo isso?
- A tribo precisa de nós Taruk, e isso é tudo. - Brak concluiu.
- Está lá. - Gog tinha chegado sem ninguém percebê-lo, tinha um sorriso no rosto. - A Besta Arco-Íris está lá embaixo na planície.
Todos correram para a ponta do penhasco e assim que chegaram puderam vê-la. Era um animal enorme, uma anta com o tamanho de dois elefantes. Movia-se lentamente e tranquila, seu corpo era multi-colorido e parecia feito de muitos pedaços de papel crepom colados uns aos outros. Ela não parecia ter percebido os caçadores.
- Vamos caçar. - Taruk convidou.
Os 4 desceram pela encosta do penhasco com facilidade e seguiram abaixado e contra o vento até posicionarem-se logo atrás da besta. Thog foi o primeiro a atacar, sua clava monstruosa atingiu o flanco do animal com uma força descomunal e a parte traseira da fera tombou. Os outros correram pelos lados da fera, Brak e Gog desferindo vários golpes com suas lâminas e Taruk foi na direção da cabeça e com sua lança furou os olhos da criatura que urrava de dor e pânico. A fera ainda tentou reagir e acertou uma pescoçada em Brak que caiu estirado no chão, sua cartola e seu monóculo jogados longe, mas ele logo se recuperou. A Besta Arco-Íris estava acabada.
Taruk tirou um grande pedaço de tecido branco de uma maleta nas suas costas e entregou-a a Thog. O gigante vendou os olhos com o pano e alcançou seu tacape no chão. A essa altura, os outros 3 riam e começaram a rodar Thog que perdeu completamente o senso de direção, mas a fera ainda gemia baixinho e guiou seus ouvidos. Um único golpe de Thog foi o bastante.
A cebeça da fera voou longe, expondo o interior de seu corpo, um amontoado de pequenos pedaços de papel verde, notas de 20 e 50. Os 4 guerreiros destruíram complatamente a carcaça da besta e encheram suas valises com a recompena de sua caçada, teriam muito para levar de volta pra tribo.
- Eu nem acredito, matamos Piñata, a Besta Arco-Íris. - Um deles disse.
Por Gordon Banks (04/02/2008)
domingo, 20 de janeiro de 2008
Jack, Charlie, e o grande baile
(Bom, primeiramente, peço desculpa por quebrar completamente o ritmo do blog no último post, mas eu realmente precisava desabafar e foi o melhor jeito que eu encontrei na hora. O blog continua com os contos e crônicas usuais, que é o que eu gosto mais de escrever e aparentemente é o que tem agradado mais o pessoal.)
Era a grande noite. A grande chance pra todos. A noite em que nobres e plebeus eram iguais. A noite do baile do colegial.
Eu não estava particularmente empolgado, era só mais uma festa com o pessoal manjado da escola, só que sem álcool e com a supervisão de adultos. Resumindo, era um festa chata, mas por algum motivo, existia toda uma mística em torno daquela noite que fazia parecer que tudo poderia acontecer. Eu conhecia mais de uma pessoa que esperava pelo baile antes mesmo de saber exatamente o que era um baile.
Os caras da turma estavam entusiasmados. Charlie tinha comprado um terno novo e Kevin tinha convencido Heather, a garota mais gostosa da escola, a ir com ele. Tudo prometia uma noite inesquecível. De fato, eu jamais esqueci.
O baile já ia chegando ao final, o ponche já estava batizado, mas ninguém se mostrava bêbado demais. Os primeiros casais saíam discretamente e entravam nos carros procurando pelos melhores cantos escuros da cidade pra dar uns amassos. Kevin dançava uma baladinha lenta no meio da pista com Heather, e Bia, a garota que eu tinha levado ao baile, estava num canto agarrada com um jogador do time de luta-livre que eu não reconheci, por que eram todos muito parecidos.
Eu sai do salão e dei uma caminhada até o pátio, vi que o céu estava muito claro e estrelado, e a lua estava ligeiramente avermelhada, um daqueles lances de eclipse ou sei lá o que.
Quando me virei na direção da torre do relógio, vi um vulto grandalhão lá no alto, não tive dúvidas, era Charlie.
- Vai entrar numa enrascada se alguém te pegar aqui. - Eu disse me aproximando depois de finalmente subir a longa escada espiral por dentro da torre.
- Não me importo. - Charlie disse virando pra me olhar, ele estava sentado no parapeito com as pernas para fora da torre e cambaleou perigosamente, na mão esquerda um embrulho em papel pardo.
- Isso na sua mão é scotch? Você andou bebendo? - Perguntei com um semi-sorriso no rosto, Charlie raramente bebia, mas costumava exagerar quando o fazia.
- Eu só bebo bourbon Jack, achei que você já soubesse. - Ele respondeu me dando as costas.
Reparei que sobre o parapeito estavam os sapatos dele, e dentro de um dos sapatos vi o brilho dourado do relógio que ele ganhara do pai e dos óculos de grau, era estranho vê-lo sem os óculos, mas me pareceu um detalhe sem importância.
- A bia me largou no meio da segunda música. - Desabafei.
- Heather ainda vale alguma coisa, mas a Bia é uma tapada. - Ele disse com mais dureza do que eu esperava ouvir. - Não se preocupe, o karma toma conta dela.
Charlie era um cara muito alto e de ombros largos, ainda assim um sujeito simpático e de aparência inofensiva. Era um nerd de marca maior. Devorava livros no café da manhã, adorava filosofia, estudava tudo que podia sobre religião, embora não mostrasse seguir nada do que lia. Não pude deixar de sorrir quando ele deixou Bia a cargo do karma, era exatamente o estilo dele, por isso era meu amigo. Meu melhor amigo.
- Vamos embora daqui, esse baile já era. - Eu disse na esperança de voltar pra casa e descansar na minha cama.
- Pode ir sozinho, vou ficar aqui mais um pouco.
- Certo. Se cuida Charlie, te vejo amanhã.
Eu desci as escadas e deixei o Charlie lá. No estacionamento, vi Kevin e Heather saindo no carro dele, a noite deles ainda estava começando. A minha no entanto estava a 10 segundos de terminar.
BOOM!!
Me virei na direção do barulho assustado, parecia uma bomba, mas não tinha fogo. De repente escutei um grito de mulher e um alvoroço logo depois, estavam na torre do relógio. Corri de volta e logo percebi que algo estava errado.
Cercado por uma 4 pessoas completamente aturdidas, estava um corpo no chão, um corpo grandalhão, sem óculos e sem sapatos, e sem vida. Charlie tinha caído da torre.
A noite parecia não terminar nunca enquanto os policiais me faziam mais e mais perguntas, já que eu tinha sido o último a vê-lo com vida.
Um dos peritos encontrou um bilhete no bolso interno paletó:
A tout le monde
A tous mes amis
Je vous aime
Je dois partir
These are the last words
I'll ever speak
And they'll set me free
Charlie.
Era a letra de "A Tout Le Monde" do Megadeath. Estava escrito com a letra do Charlie e foi considerado um óbvio bilhete de suicídio. Charlie se suicidou. Eu nunca soube o porque. Ele era meu melhor amigo, devia estar gritando por ajuda há semanas com aquele jeitão retraído dele e eu nem percebi, concentrado demais no meu mundinho precioso de festas e garotas.
Dias depois a mãe de Charlie me ligou e disse que eu podia ir até a casa dela e pegar alguma coisa do Charlie como lembrança. Eu entrei no quarto dele, e vasculhei por algum diário, alguma pista do motivo pra ele ter feito aquilo, até liguei o computador e verifiquei o que ele andava fazendo na internet, mas tudo que eu via eram sites sobre retiros budistas, monastérios e coisas relacionadas ao budismo. Em cima da escrivaninha estava a única coisa que eu tirei daquele quarto. Um folheto falando sobre um retiro budista no japão.
Em um ano eu consegui a grana e logo estava de viagem marcada. Não ia pra faculdade, estava de malas prontas pra ir pro japão.
Era a grande noite. A grande chance pra todos. A noite em que nobres e plebeus eram iguais. A noite do baile do colegial.
Eu não estava particularmente empolgado, era só mais uma festa com o pessoal manjado da escola, só que sem álcool e com a supervisão de adultos. Resumindo, era um festa chata, mas por algum motivo, existia toda uma mística em torno daquela noite que fazia parecer que tudo poderia acontecer. Eu conhecia mais de uma pessoa que esperava pelo baile antes mesmo de saber exatamente o que era um baile.
Os caras da turma estavam entusiasmados. Charlie tinha comprado um terno novo e Kevin tinha convencido Heather, a garota mais gostosa da escola, a ir com ele. Tudo prometia uma noite inesquecível. De fato, eu jamais esqueci.
O baile já ia chegando ao final, o ponche já estava batizado, mas ninguém se mostrava bêbado demais. Os primeiros casais saíam discretamente e entravam nos carros procurando pelos melhores cantos escuros da cidade pra dar uns amassos. Kevin dançava uma baladinha lenta no meio da pista com Heather, e Bia, a garota que eu tinha levado ao baile, estava num canto agarrada com um jogador do time de luta-livre que eu não reconheci, por que eram todos muito parecidos.
Eu sai do salão e dei uma caminhada até o pátio, vi que o céu estava muito claro e estrelado, e a lua estava ligeiramente avermelhada, um daqueles lances de eclipse ou sei lá o que.
Quando me virei na direção da torre do relógio, vi um vulto grandalhão lá no alto, não tive dúvidas, era Charlie.
- Vai entrar numa enrascada se alguém te pegar aqui. - Eu disse me aproximando depois de finalmente subir a longa escada espiral por dentro da torre.
- Não me importo. - Charlie disse virando pra me olhar, ele estava sentado no parapeito com as pernas para fora da torre e cambaleou perigosamente, na mão esquerda um embrulho em papel pardo.
- Isso na sua mão é scotch? Você andou bebendo? - Perguntei com um semi-sorriso no rosto, Charlie raramente bebia, mas costumava exagerar quando o fazia.
- Eu só bebo bourbon Jack, achei que você já soubesse. - Ele respondeu me dando as costas.
Reparei que sobre o parapeito estavam os sapatos dele, e dentro de um dos sapatos vi o brilho dourado do relógio que ele ganhara do pai e dos óculos de grau, era estranho vê-lo sem os óculos, mas me pareceu um detalhe sem importância.
- A bia me largou no meio da segunda música. - Desabafei.
- Heather ainda vale alguma coisa, mas a Bia é uma tapada. - Ele disse com mais dureza do que eu esperava ouvir. - Não se preocupe, o karma toma conta dela.
Charlie era um cara muito alto e de ombros largos, ainda assim um sujeito simpático e de aparência inofensiva. Era um nerd de marca maior. Devorava livros no café da manhã, adorava filosofia, estudava tudo que podia sobre religião, embora não mostrasse seguir nada do que lia. Não pude deixar de sorrir quando ele deixou Bia a cargo do karma, era exatamente o estilo dele, por isso era meu amigo. Meu melhor amigo.
- Vamos embora daqui, esse baile já era. - Eu disse na esperança de voltar pra casa e descansar na minha cama.
- Pode ir sozinho, vou ficar aqui mais um pouco.
- Certo. Se cuida Charlie, te vejo amanhã.
Eu desci as escadas e deixei o Charlie lá. No estacionamento, vi Kevin e Heather saindo no carro dele, a noite deles ainda estava começando. A minha no entanto estava a 10 segundos de terminar.
BOOM!!
Me virei na direção do barulho assustado, parecia uma bomba, mas não tinha fogo. De repente escutei um grito de mulher e um alvoroço logo depois, estavam na torre do relógio. Corri de volta e logo percebi que algo estava errado.
Cercado por uma 4 pessoas completamente aturdidas, estava um corpo no chão, um corpo grandalhão, sem óculos e sem sapatos, e sem vida. Charlie tinha caído da torre.
A noite parecia não terminar nunca enquanto os policiais me faziam mais e mais perguntas, já que eu tinha sido o último a vê-lo com vida.
Um dos peritos encontrou um bilhete no bolso interno paletó:
A tout le monde
A tous mes amis
Je vous aime
Je dois partir
These are the last words
I'll ever speak
And they'll set me free
Charlie.
Era a letra de "A Tout Le Monde" do Megadeath. Estava escrito com a letra do Charlie e foi considerado um óbvio bilhete de suicídio. Charlie se suicidou. Eu nunca soube o porque. Ele era meu melhor amigo, devia estar gritando por ajuda há semanas com aquele jeitão retraído dele e eu nem percebi, concentrado demais no meu mundinho precioso de festas e garotas.
Dias depois a mãe de Charlie me ligou e disse que eu podia ir até a casa dela e pegar alguma coisa do Charlie como lembrança. Eu entrei no quarto dele, e vasculhei por algum diário, alguma pista do motivo pra ele ter feito aquilo, até liguei o computador e verifiquei o que ele andava fazendo na internet, mas tudo que eu via eram sites sobre retiros budistas, monastérios e coisas relacionadas ao budismo. Em cima da escrivaninha estava a única coisa que eu tirei daquele quarto. Um folheto falando sobre um retiro budista no japão.
Em um ano eu consegui a grana e logo estava de viagem marcada. Não ia pra faculdade, estava de malas prontas pra ir pro japão.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Magda Banks
Acabei de realizar um funeral. É verdade, não é mais uma crônica ou conto. Eu tive durante 4 anos um esquilo da mongólia. ELA morreu há 40 minutos. Eu a enterrei numa pracinha de frente com a minha casa. Ela já estava velhinha, e ontem antes de sair pra trabalhar eu reparei que ela estava fria, temi pelo pior, mas torci pra que fosse só um resfriado ou algo assim. Hoje eu cheguei e ela estava quietinha, não tinha nada da animação de sempre, peguei-a e percebi que ela estava muito fria, gelada quase. Comecei a tremer, sabia que a hora estava chegando, e ela aparentemente também.
Minha mão se aproximou e eu contei o problema, ela ficou perturbada, mas tentando me animar perguntou: "Você vai querer outro? A gente pode comprar um outro bichinho pra você." "Eu quero a Magda." eu respondi. Era verdade, eu só queria a Magda. Coloquei-a no sofá na esperança de que uma caminhada lhe fizesse bem. Ela pareceu mais e mais desorientada, as patinhas já não obedeciam e ela começou a tentar se jogar do sofá no chão.
Me desesperei e comecei a chorar, minha mãe tentava me acalmar, mas sem remédio. Ela finalmente caiu no chão se debatento, fiquei com medo de toca-la, percebi que ela estava morrendo ali naquela hora. Minhas mãos a protegiam de algum mal invisível, eu tentava criar coragem pra pega-la, mas não consegui. Ela parou, mas suas pernas ainda se moviam em agonia.
"MORRE!MORRE!" eu urrei desesperado, querendo que a dor dela acabasse, minha mãe ficou muito assustada e meu pai veio correndo ver o que tinha acontecido, ela já estava morta na altura em que ele chegou.
Minha mãe surgiu não sei de onde com um suco de maracujá, que eu bebi sem sentir o gosto só pra dar a impressão de que estava tudo bem. Fiquei olhando pra ela no chão, olhos abertos, sem vida. Deitei do lado dela e fiquei observando aquele corpinho peludo no chão.
Minha mãe estava em pé do meu lado, e parecia preocupada comigo, também chorava.
Resolvi me levantar e começar a preparar um caixãozinho improvisado. Ela tinha um tubo de papelão, tampei um dos lados com papel toalha e linha, coloquei um pouco da serragem do aquário e então coloquei aquela coisinha minúscula que ela era lá dentro, ainda chorando muito. Ela dorava semente de girassol e amendoim. Coloquei alguns com ela, e coloquei milho e trigo caso ela enjoasse dos outros, peguei a serragem do ninho dela, onde ela dormia e tampei o tubo, coloquei outra folha de papel toalha e amarrei com linha (tudo com ajuda da minha mãe, eu estava tremendo muito).
Fui até a pracinha e cavei com uma pá de pedreiro na terra úmida, matei minhocas e tatuís no processo, irritado com o fato de que logo eles estariam se alimentando da minha preciosa filhota. Eu NUNCA mato, NADA, só pra ficar claro o nível da minha perturbação. Antes de colocar o tubo na terra, escrevi com uma caneta azul:
Minha mão se aproximou e eu contei o problema, ela ficou perturbada, mas tentando me animar perguntou: "Você vai querer outro? A gente pode comprar um outro bichinho pra você." "Eu quero a Magda." eu respondi. Era verdade, eu só queria a Magda. Coloquei-a no sofá na esperança de que uma caminhada lhe fizesse bem. Ela pareceu mais e mais desorientada, as patinhas já não obedeciam e ela começou a tentar se jogar do sofá no chão.
Me desesperei e comecei a chorar, minha mãe tentava me acalmar, mas sem remédio. Ela finalmente caiu no chão se debatento, fiquei com medo de toca-la, percebi que ela estava morrendo ali naquela hora. Minhas mãos a protegiam de algum mal invisível, eu tentava criar coragem pra pega-la, mas não consegui. Ela parou, mas suas pernas ainda se moviam em agonia.
"MORRE!MORRE!" eu urrei desesperado, querendo que a dor dela acabasse, minha mãe ficou muito assustada e meu pai veio correndo ver o que tinha acontecido, ela já estava morta na altura em que ele chegou.
Minha mãe surgiu não sei de onde com um suco de maracujá, que eu bebi sem sentir o gosto só pra dar a impressão de que estava tudo bem. Fiquei olhando pra ela no chão, olhos abertos, sem vida. Deitei do lado dela e fiquei observando aquele corpinho peludo no chão.
Minha mãe estava em pé do meu lado, e parecia preocupada comigo, também chorava.
Resolvi me levantar e começar a preparar um caixãozinho improvisado. Ela tinha um tubo de papelão, tampei um dos lados com papel toalha e linha, coloquei um pouco da serragem do aquário e então coloquei aquela coisinha minúscula que ela era lá dentro, ainda chorando muito. Ela dorava semente de girassol e amendoim. Coloquei alguns com ela, e coloquei milho e trigo caso ela enjoasse dos outros, peguei a serragem do ninho dela, onde ela dormia e tampei o tubo, coloquei outra folha de papel toalha e amarrei com linha (tudo com ajuda da minha mãe, eu estava tremendo muito).
Fui até a pracinha e cavei com uma pá de pedreiro na terra úmida, matei minhocas e tatuís no processo, irritado com o fato de que logo eles estariam se alimentando da minha preciosa filhota. Eu NUNCA mato, NADA, só pra ficar claro o nível da minha perturbação. Antes de colocar o tubo na terra, escrevi com uma caneta azul:
Magda Banks
*2004 - 16/01/2008 †
"Mordia todo mundo,
menos eu."
Enterrei o tubo e enquanto isso a porra da música do "ciclo sem fim" do Rei Leão não saia da minha cabeça. Fiz uma prece por sua alma roedora e voltei pra casa. Quando entrei e vi o aquário vazio, comecei a chorar de novo. Então vim até aqui escrever, desabafar um pouco.
Magda meu amor, eu não esqueci da promessa. Um dia, quando tudo for possível, eu volto pra te buscar. Eu juro. Eu faço um juramento solene! Eu volto pra te buscar.
E agora me resta sorrir chorando enquanto lembro de todas as vezes que você me fez rir. E me resta me desesperar à lembrança de que você se foi pra sempre.
*2004 - 16/01/2008 †
"Mordia todo mundo,
menos eu."
Enterrei o tubo e enquanto isso a porra da música do "ciclo sem fim" do Rei Leão não saia da minha cabeça. Fiz uma prece por sua alma roedora e voltei pra casa. Quando entrei e vi o aquário vazio, comecei a chorar de novo. Então vim até aqui escrever, desabafar um pouco.
Magda meu amor, eu não esqueci da promessa. Um dia, quando tudo for possível, eu volto pra te buscar. Eu juro. Eu faço um juramento solene! Eu volto pra te buscar.
E agora me resta sorrir chorando enquanto lembro de todas as vezes que você me fez rir. E me resta me desesperar à lembrança de que você se foi pra sempre.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Jack e a noiva que não lhe pertencia, nem ao seu próximo
(Não posto a mais de uma mês, sim eu sei, não ando no melhor dos humores pra escrever, mas pretendo postar com mais frequência de agora em diante. Provavelmente poste alguma história antiga esquecida do meu flog, provavelmente "As Crônicas do Vortex" que foi meu maior "hit" na época, mas reescrita e melhorada , ou seja , uma versão 2.0, veremos, não me esperem pro jantar....)
Num barzinho ele bebia uísque sentado num banquinho ao balcão, estava sozinho. Ela observava de sua mase a um bom tempo, o cara era bonitão e não olhava pro relógio, sinal de não esperava ninguém. Resolveu arriscar e cruzou o bar gingando até o solitário, sentou-se no banquinho vizinho e sorriu.
- Oi. - Ela começou com a voz sensual.
- Oi. - Ele respondeu sem emoção.
Desconcertada ela chegou a pensar que ele fosse gay, ou talvez um daqueles caras tímidos demais pra continuar uma conversa. Estava rodando sozinha a noite toda e resolveu apostar todas as fichas naquele sujeito, seria mais ousada.
- Hum. - Ela colocou a mão de leve sobre a dele. - Não tem aliança.
- Até onde você possa ver não. - Ele respondeu sem dar atenção.
- E onde mais você poderia colocar uma aliança? - Ela riu.
- Em muitos lugares. - Ele olhou para a mão direita dela, uma aliança dourada no dedo anelar, era noiva. - Mas talvez o lugar mais importante seja a cabeça, pois se você não respeita a aliança, ela não passa de um anel.
Ele pagou, se levantou e saiu, deixando-a embaraçada e sozinha para trás.
Num barzinho ele bebia uísque sentado num banquinho ao balcão, estava sozinho. Ela observava de sua mase a um bom tempo, o cara era bonitão e não olhava pro relógio, sinal de não esperava ninguém. Resolveu arriscar e cruzou o bar gingando até o solitário, sentou-se no banquinho vizinho e sorriu.
- Oi. - Ela começou com a voz sensual.
- Oi. - Ele respondeu sem emoção.
Desconcertada ela chegou a pensar que ele fosse gay, ou talvez um daqueles caras tímidos demais pra continuar uma conversa. Estava rodando sozinha a noite toda e resolveu apostar todas as fichas naquele sujeito, seria mais ousada.
- Hum. - Ela colocou a mão de leve sobre a dele. - Não tem aliança.
- Até onde você possa ver não. - Ele respondeu sem dar atenção.
- E onde mais você poderia colocar uma aliança? - Ela riu.
- Em muitos lugares. - Ele olhou para a mão direita dela, uma aliança dourada no dedo anelar, era noiva. - Mas talvez o lugar mais importante seja a cabeça, pois se você não respeita a aliança, ela não passa de um anel.
Ele pagou, se levantou e saiu, deixando-a embaraçada e sozinha para trás.
sábado, 8 de dezembro de 2007
As putas da minha vida
Era uma noite quente, mas os ventiladores no teto faziam bem o seu trabalho. A música tocava bem alta, alguma porcaria black que estava na moda. A luz negra escondia parcialmente as feições de todos no ambiente, um salãozinho pequeno de no máximo 10x10 metros. No fundo um balcão longo onde 2 barmans atendiam à multidão furiosa de comandas de cartolina amarela agitadas no ar, a minha era apenas mais uma delas. Um barman finalmente me viu no canto do balcão, o mais afastado possível de todos, mais ainda assim me acotovelando com dois sujeitos bem vestidos que tinham pinta de empresários. Pedi a quarta das 5 cervejas que aquele pedaço de cartolina me garantia, e logo a latinha veio parar na minhão mão.
Bebi relaxado, um dos engravatados ao meu lado deu um gole num uísque e deixou no balcão, o outro havia pedido um drink que parecia ser alguma coisa com limão dentro, mas nem tocou no copo, sem mais nem menos os dois saíram andando atrás de uma loira que passou por nós. O barman atarefado tentava com dificuldade abrir espaço no balcão cheio de copos e latas vazias, veio na minha direção:
- O uísque é seu? - Confirmei com a cabeça. - E a caipiroska? - Fiz que sim novamente terminando minha cerveja e ele se afastou levando minha latinha vazia.
Acendi um cigarro e terminei o uísque com um só gole sem me importar se podia estar pegando herpes ou coisa pior daquele copo, uma dose de uísque não saia por menos de 20 pratas por ali, e eu estava disposto a ficar um pouco bêbado. Em seguida beberiquei a caipiroska no canudinho, estava fraca, mas cavalo dado não se olha os dentes.
No palco redondo minúsculo que ficava no centro do salãozinho, umas das garotas dançava sensual naquele poste metálico, entrelaçava as pernas e virava de ponta cabeça, era impressionante, era lindo. Me critiquem à vontade, mas para mim aquilo era uma visão divina, e mesmo ateu convicto, eu sempre conseguia ver deus nas coisas mais banais. Não o deus vingativo e temperamental da igreja, um deus maior e mais primitivo, um deus que não passava de uma sensação boa no estômago ao ver todas aquelas garotas semi-nuas circulando por ali. A dançarina da vez era Daisy, ou Michele, ou qualquer outra coisa, ela detonava naquele poste metálico, e quando tirava a calcinha, vinha aquela lufada de fumaça perfumada sabe-se lá de onde e encobria tudo, nos dando apenas uma pequena amostra do que poderíamos obter naquele paraíso carnal. Daisy, ou Michele, ou qualquer coisa, correu pra fora do palco e entrou numa portinha num canto, fim do show por enquanto.
Terminei outro cigarro e a caipiroska, acendi mais um malvadinho e pedi minha quinta cerveja, estava de costas pra tudo, apoiado com os cotovelos no balcão, pensando em algo que eu nem mesmo tinha certeza do que seria. Um par de mãos delicadas me tocou nos ombros, isso era comum num puteiro, ignorei e continuei bebendo. As mãozinhas eram insistentes e começaram a viajar para lugares mais dignos de atenção, suspirei meio impaciente e me virei pra ver quem era.
Não que eu me orgulhe, mas conhecia quase todas as putas daquele lugar pelo nome, nomes de guerra e nomes reais, frequentava o lugar há alguns anos e estava sempre me atualizando na vida profissional e pessoal das meninas, era amigo de algumas delas. Mas desde a primeira vez em que eu havia passado por aquela porta, uma garota em especial tinha me chamado a atenção, e embora eu pudesse simplesmente convida-la pra subir e pagar os 80 mangos pela foda, nunca tinha acontecido nada entre nós.
Ela era loira, claro são sempre loiras, e tinha os olhos muito grandes e castanhos, lindos. Um rostinho perfeito de nariz fino e boca charmosa. O corpo era algo obcenamente maravilhoso para os meus padrões, a mulher ideal, muita carne em cima, nem tanto atrás e pernas lindas, grossas e lindas.
- Criou coragem e veio falar comigo finalmente? - Eu sempre tive esse senso de humor horrível e deslocado, mesmo assim ela riu.
- Não, uma amiga quer falar com você. - Ela me olhou do jeito mais sacana que conseguiu e saiu rebolando dentro do seu espartilho vermelho. Fiquei puto da vida. Fui até onde ela havia indicado de longe, era uma das meninas, digo, uma das "minhas" meninas.
- Fala Bab's. - O nome de guerra era Bárbara, eu chamava de Bab's, ela tinha um filhinho que adorava batman.
- Hey Jaque. - Meu nome é Jack, por causa de algum personagem de filme que meu pai gostava, mas o pessoal me chamava de Jaque, só pra sacanear. - Falei com a gerente, e cobrei um favor dela. Te consegui um lance.
- Diga lá e eu vejo se me interesso.
- É o seguinte, todo mundo aqui sabe de você e da Loira. - Numa brincadeira sádica, todos os funcionários e as meninas haviam decidido não me dizer o nome da loira, apenas chamavam-na de "Loira". - A gerente te propõe o seguinte, você pode escolher, meia hora de graça com a Loira, ou duas horas de graça com as 3 meninas que você quiser, desde que não escolha a Loira entre as três.
Eu ri sinceramente.
- Bab's, Daisy e Rachel, vamos praquele quarto com a cama grande.
Bárbara era uma ruiva linda, Daisy era uma branquelinha magra e muito "habilidosa", Rachel era uma gordinha peituda e maluca, as 3 eram de longe as melhores transas da casa. Ainda acho que escolhi bem. Quando venceram as duas horas, estávamos os 4 na cama, devastados, as garotas encostaram as cabeças no meu peito e descançavamos um pouco. Pude ouvir Bab's dizer baixinho:
- Um, dois, três e... - As três gritaram em coro. - Feliz Aniversário Jack!
Eu tinha acabado de passar as 2 melhores horas da minha vida, suspirei e disse.
- Que se foda a loira, eu amo vocês garotas.
By Gordon Banks (08/12/2007)
Um pequeno PS: Os nomes usados no texto não estão aí com a intenção de ofender ninguém, usei nomes aleatórios para ilustrar as personagens.
Bebi relaxado, um dos engravatados ao meu lado deu um gole num uísque e deixou no balcão, o outro havia pedido um drink que parecia ser alguma coisa com limão dentro, mas nem tocou no copo, sem mais nem menos os dois saíram andando atrás de uma loira que passou por nós. O barman atarefado tentava com dificuldade abrir espaço no balcão cheio de copos e latas vazias, veio na minha direção:
- O uísque é seu? - Confirmei com a cabeça. - E a caipiroska? - Fiz que sim novamente terminando minha cerveja e ele se afastou levando minha latinha vazia.
Acendi um cigarro e terminei o uísque com um só gole sem me importar se podia estar pegando herpes ou coisa pior daquele copo, uma dose de uísque não saia por menos de 20 pratas por ali, e eu estava disposto a ficar um pouco bêbado. Em seguida beberiquei a caipiroska no canudinho, estava fraca, mas cavalo dado não se olha os dentes.
No palco redondo minúsculo que ficava no centro do salãozinho, umas das garotas dançava sensual naquele poste metálico, entrelaçava as pernas e virava de ponta cabeça, era impressionante, era lindo. Me critiquem à vontade, mas para mim aquilo era uma visão divina, e mesmo ateu convicto, eu sempre conseguia ver deus nas coisas mais banais. Não o deus vingativo e temperamental da igreja, um deus maior e mais primitivo, um deus que não passava de uma sensação boa no estômago ao ver todas aquelas garotas semi-nuas circulando por ali. A dançarina da vez era Daisy, ou Michele, ou qualquer outra coisa, ela detonava naquele poste metálico, e quando tirava a calcinha, vinha aquela lufada de fumaça perfumada sabe-se lá de onde e encobria tudo, nos dando apenas uma pequena amostra do que poderíamos obter naquele paraíso carnal. Daisy, ou Michele, ou qualquer coisa, correu pra fora do palco e entrou numa portinha num canto, fim do show por enquanto.
Terminei outro cigarro e a caipiroska, acendi mais um malvadinho e pedi minha quinta cerveja, estava de costas pra tudo, apoiado com os cotovelos no balcão, pensando em algo que eu nem mesmo tinha certeza do que seria. Um par de mãos delicadas me tocou nos ombros, isso era comum num puteiro, ignorei e continuei bebendo. As mãozinhas eram insistentes e começaram a viajar para lugares mais dignos de atenção, suspirei meio impaciente e me virei pra ver quem era.
Não que eu me orgulhe, mas conhecia quase todas as putas daquele lugar pelo nome, nomes de guerra e nomes reais, frequentava o lugar há alguns anos e estava sempre me atualizando na vida profissional e pessoal das meninas, era amigo de algumas delas. Mas desde a primeira vez em que eu havia passado por aquela porta, uma garota em especial tinha me chamado a atenção, e embora eu pudesse simplesmente convida-la pra subir e pagar os 80 mangos pela foda, nunca tinha acontecido nada entre nós.
Ela era loira, claro são sempre loiras, e tinha os olhos muito grandes e castanhos, lindos. Um rostinho perfeito de nariz fino e boca charmosa. O corpo era algo obcenamente maravilhoso para os meus padrões, a mulher ideal, muita carne em cima, nem tanto atrás e pernas lindas, grossas e lindas.
- Criou coragem e veio falar comigo finalmente? - Eu sempre tive esse senso de humor horrível e deslocado, mesmo assim ela riu.
- Não, uma amiga quer falar com você. - Ela me olhou do jeito mais sacana que conseguiu e saiu rebolando dentro do seu espartilho vermelho. Fiquei puto da vida. Fui até onde ela havia indicado de longe, era uma das meninas, digo, uma das "minhas" meninas.
- Fala Bab's. - O nome de guerra era Bárbara, eu chamava de Bab's, ela tinha um filhinho que adorava batman.
- Hey Jaque. - Meu nome é Jack, por causa de algum personagem de filme que meu pai gostava, mas o pessoal me chamava de Jaque, só pra sacanear. - Falei com a gerente, e cobrei um favor dela. Te consegui um lance.
- Diga lá e eu vejo se me interesso.
- É o seguinte, todo mundo aqui sabe de você e da Loira. - Numa brincadeira sádica, todos os funcionários e as meninas haviam decidido não me dizer o nome da loira, apenas chamavam-na de "Loira". - A gerente te propõe o seguinte, você pode escolher, meia hora de graça com a Loira, ou duas horas de graça com as 3 meninas que você quiser, desde que não escolha a Loira entre as três.
Eu ri sinceramente.
- Bab's, Daisy e Rachel, vamos praquele quarto com a cama grande.
Bárbara era uma ruiva linda, Daisy era uma branquelinha magra e muito "habilidosa", Rachel era uma gordinha peituda e maluca, as 3 eram de longe as melhores transas da casa. Ainda acho que escolhi bem. Quando venceram as duas horas, estávamos os 4 na cama, devastados, as garotas encostaram as cabeças no meu peito e descançavamos um pouco. Pude ouvir Bab's dizer baixinho:
- Um, dois, três e... - As três gritaram em coro. - Feliz Aniversário Jack!
Eu tinha acabado de passar as 2 melhores horas da minha vida, suspirei e disse.
- Que se foda a loira, eu amo vocês garotas.
By Gordon Banks (08/12/2007)
Um pequeno PS: Os nomes usados no texto não estão aí com a intenção de ofender ninguém, usei nomes aleatórios para ilustrar as personagens.
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