quarta-feira, 3 de março de 2010

O Inferno de Gordon, parte VIII: O Terceiro Irmão Banks.

Ha quanto tempo caminhavam sem jamais parar pra descansar Gordon já nem se dava mais conta, a jornada presseguia no Vortex, onde o tempo passava de forma diferente. Os dias às vezes podiam durar 30 horas e as noites 16 anos, não se tinha jamais certeza sobre o clima, chuvas de pedra ou de pétalas de flores, assim era aquela terra caótica.

Estavam andando numa região montanhosa, Gordon e Desespero, lado a lado. Eram seguidos de perto pelas fadas azuis que gritavam incoerências em sua linguagem de formiga apenas para ouvirem o eco de suas vozes, que às vezes respondia coisas absolutamente diferentes do que elas haviam dito. Morriam de rir quando isso acontecia.

- Criaturas obtusas. - Resmungou o urso.

- Parece divertido, vamos tentar rabugento. - Gordon foi até a beira do precipício rindo e gritou. - Olá! Tem alguém aí?

O eco respondeu:

- O gosto de sangue na boca lhe agrada!

Desespero estremeceu e fitou Gordon com seriedade:

- Esse lugar é sinistro, vamos embora.

Continuaram caminhando por mais horas sem conta e num planalto acima das montanhas avistaram uma construção. Era grande e espaçosa, cercada de vidro por todos os lados. Gordon achou estranho a princípio, mas finalmente reconheceu o lugar como sendo uma academia.

De perto, o ginásio era ainda mais impressionante, muito alto, e os aparelhos lá dentro pareciam ter um tamanho descomunal. Todas as luzes estavam apagadas e um labirinto de barras de ferro se estendia lá dentro. Não se via nada muito além de dois metros dos vidros.

- Vamos entrar. - Banks sentenciou.

A porta de frente era automática e se abriu quando eles se aproximaram, fechou-se então quando eles passaram por ela. A escuridão opressiva lá dentro só era quebrada pela luz azulada das fadinhas que esvoaçavam ao redor de Gordon deixando tudo com um ar fantasmagórico. Desespero ia logo atrás com dificuldade pra se mover nos corredores estreitos de aparelhos de ginástica.

Tleng! - Ouviram um som ao longe, foram na direção dele.

O labirinto os levou pra dentro do ginásio, mais e mais, de fora o lugar não parecia tão grande assim.

- Novecentos milhões oitocentos e quarenta mil e dois... - Ouviram um sussurro audível. - Novecentos milhões oitocentos e quarenta mil e três... - Tleng! - Novecentos milhões oitocentos e quarenta mil e quatro...

Depois de uma curva fechada Gordon se viu numa clareira no labirinto. Tudo convergia para aquele único lugar onde no centro um homem imenso levantava pesos descomunais que marcavam 100t. cada. No escuro ele prosseguia em seu exercício sem se dar conta dos visitantes.

- Novecentos milhões oitocentos e quarenta mil e cinco... Novecentos milhões oitocentos e quarenta mil e seis...

- Ahn, com licensa? - Gordon falou sem tentar surpreender o atleta épico.

- Hum? - Viram a cabeça do homem se voltar pra eles no escuro. - Minha nossa já é tarde! Já chegaram! Mil perdões!

O homem largou sua barra sobre o suporte que rangeu ameaçadoramente, depois se levantou com agilidade e para Gordon, pareceu que ele nunca terminaria de se levantar, era um gigante de seis, talvez oito metros.

- Eu sabia que estavam vindo, mas perdi a noção do tempo, sabem como é, não vemos o tempo passar quando estamos nos divertindo! - Ele sorria no escuro e tinha uma voz grave e simpática. - Deixem-me acender as luzes.

Ele bateu palmas e as luzes se acenderam finalmente revelando a real aparência do gigante. Era enorme e musculoso, cada parte do corpo inchada e tensa, vestia apenas um short simples e o corpo marombado era coberto de tatuagens aqui e ali, foi quando avistou o rosto do homem que Gordon finalmente o reconheceu. Seus rostos eram idênticos.

- Troll eu presumo.

- Sim, sim! Finalmente irmãozinho! Estava ansioso pra lhe conhecer! - Troll se aproximou e deu em Gordon um abraço de quebrar costelas. - Everton me avisou que você viria, ele me explicou tudo que esta acontecendo.

- E qual a sua história? Quem é você? - Desespero perguntou.

- Quem sou? Eu sou o Troll! O nome correto é Obstinação, mas eu prefiro Lealdade na verdade. Represento nossa capacidade de superar desafios, de jamais desistir!

- E como você pode me ajudar Troll? O que tem pra me ensinar? - Indagou Gordon.

- Não muito eu temo. Acho que basicamente eu devo dizer isso, jamais desista Gordon! Quando as chances forem pequenas, quando tudo parecer perdido, quando você estiver desanimado, quando o mundo todo estiver contra você, nunca desista! Esqueça o significado dessa palavra imunda! Desistir nunca é uma opção! Nem que você precise atingir seu objetivo de um milhão de maneiras diferentes, não se renda nunca! - Ele gritava muito alto e empolgado.

- Saquei. Vamos indo, tenho um Vortex pra salvar. - Gordon disse desinteressado.

- Já vão? Posso ir também?

- Claro, porque não? - Gordon continuou andando pra fora do labirinto.

Mais tarde, caminhando por alguma planície, Desespero se colocou ao lado do jovem.

- Que apatia toda é essa Gordon? Sentindo-se desesperado por acaso? - Riu.

- Só estou cansado, muito cansado de tudo isso. Tudo recai sobre mim e eu tenho dúvidas...

- Quais?

- Acho que a principal é, eu devo mesmo tentar salvar o Vortex?

Desespero se calou com um olhar espantado.

- Não me olhe assim. Vamos andando, o Troll disse que nossa próxima parada é Santo André, vamos ver um velho amigo. Um cara bem durão.


A SEGUIR: O Inferno de Gordon, parte IX: Heavy Metal.

Um comentário:

Eduardo Henrique C disse...

Nunca desista é um bom conselho, pena q não teve muita atenção..

 
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