domingo, 1 de dezembro de 2013

O Inferno de Gordon, parte XII: A Serpente Alada

A serpente rugiu, soprou labaredas púrpuras e cuspiu veneno, que choveu sobre tudo na sua frente. Moon Tyrant segurou Gordon pelas axilas e flutuou para longe, seguido pelo Golem e por Troll.

- Eu nunca vi nada parecido com isso. - Gordon admitiu, com ar preocupado.

- Tão grande assim, são raras. - Tyrant explicou. - Mas seus ovos estão espalhados por toda a parte no Vortex.

- E a culpa é minha... - Lamentou o Troll.

- Você não tinha como saber o que ele pretendia. - Disse Gordon. - Agora temos que pensar em como derrota-la.

- É aí que seus problemas começam. - Moon Tyrant fungou. - Somente Razão tem poder o bastante pra aniquilar uma serpente tão grande.

Como se adivinhasse que falavam dela, a serpente fez jorrar veneno na direção deles e tentou acerta-los com a cauda de chicote. As plumas multicoloridas se eriçavam toda vez que a criatura atacava. Seus olhos amarelos giravam loucamente nas órbitas.

Novamente se afastaram aos pulos do alcance do monstro.

- Razão está morto. Cabe a nós... - Gordon foi interrompido.

- Razão não está morto. Apenas fora de combate. - Tyrant parecia exasperado. - Nós vamos distrair a serpente e você vai até ele. Cure o anjo.

- Curar? Eu não saberia como cura-lo!

- Você tem o poder pra isso, Convicção. Você é o único healer na party, acredite em mim. - Riu uma risada tão seca e dolorida, quanto só mesmo o Tirano da Lua conseguiria.

Gordon se obrigou a pensar a respeito. Se acalmou. Convicção. Lembrou-se do seu nome e se sentiu, por uma fração de segundo, invencível. Lembrou-se de tudo que teve de passar pra chegar até ali. Todas as lições, os desafios. Sentiu um arrepio subindo pela espinha até a nuca.

Seus olhos, pela primeira vez em muitos anos, se abriram. Grandes, brilhantes, inflamados... amarelos.

Todos se afastaram um passo. Somente o Golem, com sua inocência, não pode perceber o que estava acontecendo. Gordon mudou. Continuava igual, mas bastava olhar pra ele e percebia-se que algo muito importante havia mudado.

Ele caminhou em silêncio na direção de Razão. A serpente o viu em seu caminho e rugiu alto. Mas antes que pudesse dar um bote, uma onda imensa de fadas azuis explodiu contra seus olhos. Elas gritavam, xingavam, imitavam cornetas e com seus pequeninos punhos, socavam cada centímetro da cabeça imensa do monstro. Foi o bastante para deixa-la distraí-da.

Gordon continuou caminhando até o local onde o anjo estava caído. Encontrou Sadismo no caminho.

- Vai ter que passar pro mim primeiro *shhhu*.

Gordon sorriu.


A SEGUIR: O Inferno de Gordon, parte XIII: Riding Insanity.

Um comentário:

Eduardo Caranicolov disse...

Gordon se obrigou a pensar a respeito. Se acalmou. Convicção. Lembrou-se do seu nome e se sentiu, por uma fração de segundo, invencível. Lembrou-se de tudo que teve de passar pra chegar até ali. Todas as lições, os desafios. Sentiu um arrepio subindo pela espinha até a nuca.

Seus olhos, pela primeira vez em muitos anos, se abriram. Grandes, brilhantes, inflamados... amarelos.

Todos se afastaram um passo. Somente o Golem, com sua inocência, não pode perceber o que estava acontecendo. Gordon mudou. Continuava igual, mas bastava olhar pra ele e percebia-se que algo muito importante havia mudado.


Escorreu-me uma lágrima

 
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